segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Só o tempo mesmo ou nem mesmo o tempo?
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Presente conciso, passado expansivo
Então, agora atenta, tenho a necessidade de discorrer em linhas extensas sobre a maneira como o passado exerce influência no agora. De tíquetes de cinema a etiquetas de roupas, sempre tive essa síndrome de esquilo, arquivando tudo que pudesse me arrancar alguma lembrança posteriormente. Guardo até hoje uns pedacinhos de gesso de parede nos quais uma amiga me escreveu recados: a amizade pereceu, mas o registro dela fica lá, preservado. Aquela minha caixa azul com desenho de ursinhos funciona como uma espécie de portal para um tempo já ido. É a máquina do tempo mais simples do mundo, feita apenas de papelão e elástico. Olhar, vezenquando, pros pedaços de gesso, pros bilhetes de cinema, pras cartinhas, chaveiros e fotos 3x4 por muito tempo mantidos é como um teletransporte para uma realidade hoje apenas existente numa parte pequena da minha mente. Pequena porque lembranças desbotam com o tempo, afastam-se do centro da atividade cerebral, mas não perdem sua importância. Nunca. E foi exatamente essa constatação que me atingiu quando encontrei, dentro de um livro antigo da estante enorme aqui de casa, um pedaço de papel já amarelado. Poucas palavras escritas numa letra inconfundível e tantas coisas do passado guardadas entre as folhas de 'On the Road'. Páginas que fizeram aflorar sentimentos muito além dos provocados pela deliciosa leitura.
"As plantas estão sêcas.", dizia o bilhete, datado de 1981 e ainda numa gramática hoje obsoleta. Eu sequer existia nesse mundo, e consigo extrair, agora, muito significado dessas quatro palavrinhas. A surpresa de encontrar uma frase tão crua foi capaz de despertar uma infinidade de pensamentos, aguçar a imaginação e, por fim, me fazer conformar sobre uma série de acontecimentos. Pra quê tanto desgaste? As plantas simplesmente secaram. Não há muito o que se fazer, além de guardar em bilhetes e pedaços de fitas e bugigangas as memórias de um passado outrora tão importante. Secas, mas boas.
domingo, 24 de outubro de 2010
Encontros e Despedidas
De todo modo, o simples fato de ir ao aeroporto sem passagens compradas ou bagagem a tiracolo me dá uma inexplicável paz de espírito. Ainda que carregada da tristeza por deixar alguém querido ir embora, a situação toda, o abraço derradeiro na frente do portão de embarque é capaz de revelar muito sobre sentimentos verdadeiros. Nos poucos minutos que antecedem a última chamada para embarque imediato, devemos agir rapidamente e deixar apenas as palavras importantes chegarem a seu destino: nesse momento, diz-se somente o essencial, o "te cuida, boa viagem, sentirei saudades" que comprova a importância daquela pessoa na nossa vida e o buraco instaurado enquanto ela está ausente.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Dificilmente se arranca a lembrança.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Reflitäo
Martim: Neide, você não acha que ia ser mais justo votar em um candidato por causa das referências dele, as coisas boas que ele fez enquanto governou, as obras, a ajuda às pessoas e seus "antepassados" (acho que ele quis dizer antecedentes, haha)?
Neide: Ah não, pra mim ele me dando um emprego eu já votava nele.
Martim: Mas você não pode pensar só em você, tem que escolher um candidato porque ele vai ser capaz de ajudar a toda a sociedade! (meu irmão é um gênio mirim, tenho dito.)
Neide: Eu tô entendendo o que você tá dizendo, mas eu não... ah, eu não sei dizer não, só sei que eu ia votar nele mermo.
Martim: Te entendo, mas continuo achando isso muito errado.
Depois de dar umas risadas diante da esperteza do meu pirralho, parei pra pensar em como esse corriqueiro diálogo escancara uma série de abismos presentes no País, situações preocupantes que revelam que ainda estamos caminhando a passos tímidos na construção de uma democracia plena. A cegueira das classes menos favorecidas diante do resquício de coronelismo que existe na política nacional contrastou com a inocência infantil de achar que basta ter "bons antepassados" e pronto, tá eleito e nunca será corrupto. É, fica cada dia mais complicado tentar esboçar uma opinião clara e convicta quando o assunto é política. O momento de eleições, campanhas eleitorais, escândalos, acusações e discussões no STF finda por deixar a maior parte da população assim, perdida no meio do tiroteio, sem saber direito se a solução é a indiferença completa e desacreditada ou a indignação gritada dos mais fundamentalistas. A mim, resta presenciar diálogos como esse e refletir sobre onde é que eu fico, em que ponto da reta que separa esses dois extremos estarei pisando no próximo domingo.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
"Saibamos pois:
depois de um tempo, começa a fixar-se em mim a noção de que a vida não passa de um repetir de ciclos: depositar confiança nas pessoas, alimentar expectativas acerca das coisas e das relações humanas, e posteriormente quebrar a cara. Over and over again.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Speaks for itself.
Eu não sou nenhum bicho noturno
Eu quero dormir no escuro e só acordar se for claro pra mim
E se acontecer do meu corpo cansar antes da hora
Se a vida de mim for embora, tô pronto pra nova visão
Esse é o contrato que nem precisou assinar embaixo
Faz morrer um amor ainda no parto
Pra recomeçar com outro ainda maior
Pra viver de amor, tem que morrer milhões de amores fracos
Pra dar força àquele que é farto
E o tempo pára - e parece que parou...
(Mamelungos - Bicho Noturno)
terça-feira, 20 de julho de 2010
Bem leve leve, releve
domingo, 27 de junho de 2010
Tanta gente no meu rumo, mas eu sempre vou só. Tanta gente no meu rumo, já não sei viver só...
Radiohead - The Bends
Não é de se estranhar que uma música de Radiohead diga muito sobre mim, mas esses versos meio ácidos fizeram muito sentido esses dias, dias de destruição de referências e da triste descoberta de que o egoísmo e a falta de sensibilidade aparecem justamente quando você menos espera: Where do we go from here? The words are coming out all weird. Where are you now when I need you? I need to wash myself again to hide all the dirt and pain 'cause I'd be scared that there's nothing underneath... And who are my real friends? Have they all got the bends? Am I really sinking this low? We don't have any real friends - No no no. É mais ou menos isso, sabe, Thom Yorke definiu muito bem o que eu preciso fazer: me lavar de tanta feladaputice e falta de consideração que existe por aí, pra ver se as coisas melhoram. Agora, mudando completamente de tom, música número dois:
Milton Nascimento - Que bom amigo
Esse áudio tá uma porcaria, mas a música vale muito a pena. Primeiro porque é Milton Nascimento, e Bituca dispensa maiores justificativas. Taí uma pessoa que tem o dom pra tornar não só as músicas, mas as coisas em geral mais bonitas. Depois de passar a madrugada ouvindo algumas dele que acenderam em mim a vibe melancólica da música radioheadiana acima, sobre estar só e sobre as dificuldades da vida, me deparo com essa boa surpresa... Porque é muito bom, depois do transtorno emocional de descobrir que certas pessoas não são lá aquilo que você imaginava, e que a vida te esmurra e tá cheia de gente prestes a te decepcionar a cada lado que você olha, constatar que vai ter alguém - mesmo que seja um único alguém, nesse momento - que te tira dessa e mostra que há esperança na humanidade. Alguém pra quem você consegue se mostrar mesmo quando a vontade é de que ninguém te veja naquele estado. Alguém pra escutar seu choro, mesmo sem dizer nada, e depois te fazer rir ainda derramando lágrimas dos olhos. Já disse antes aqui que confiança não se cobra, mas esse alguém supera essas barreiras e permite que você vença qualquer orgulho e diga "preciso de você, fica do meu lado, não me larga, por favor." Que bom, amigo, poder saber outra vez que estás comigo, dizer com certeza outra vez a palavra amigo. Se bem que isso nunca deixou de ser... Que bom, amigo, poder dizer o teu nome a toda hora, a toda gente, sentir que tu sabes que estou pro que der contigo. Se bem que isso nunca deixou de ser.. Que bom, amigo, saber que na minha porta, a qualquer hora, uma daquelas pessoas que a gente espera, que chega trazendo a vida, será você. Sem preocupação.
sábado, 19 de junho de 2010
Parafraseando
"Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada... Às vezes quero crer mas não consigo, é tudo uma total insensatez, aí pergunto a Deus: escute, amigo, se foi pra desfazer, por que é que fez? Não há pra quê chorar por um amor que já morreu. Deixa pra lá, eu vou, adeus; meu coração já se cansou de falsidade... E quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho. E fatalmente se fode, porque está tentando adequar/ajustar um arquétipo, uma imagem de toda a nossa infinita carência, nossa assustadora sede, a uma realidadezinha infinitamente inferior. E, de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Eu gosto de gostos, eu gosto de pele, de cheiro, de amor verdadeiro."
perdão a quem citei sem dar os devidos créditos; pelo menos coloquei aspas..
ouvindo: Santa Chuva - Marcelo Camelo - totalmente compatível com Recife por esses dias...
sábado, 12 de junho de 2010
Pra que ficar assim desesperada se ele falou que não lhe quer?
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro
Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco?
Seu rosto é mais bonito rindo
-Otto
Love is just a game
Já me forcei a achar lindo um jantar de dia dos namorados enquanto sofria por dentro, tentando comemorar um amor já definhado. De outra vez, me senti péssima e com a auto-estima lá embaixo por não ter alguém pra ligar logo de manhã dizendo "bom dia, amor, feliz dia nosso". Hoje, penso que nada disso, nenhum desses sentimentos antagônicos tem valor em si mesmos. Não é questão de assumir solteirisse ou algo do tipo, acho que passa muito por estar bem com você mesmo, independente de ser doze de junho, catorze de agosto ou vinte e nove de novembro. E, pra isso, fazendo uma referência meio Sex and the City, falo aqui das minhas amigas, porque seremos each other's soulmates nesse dia e em todos os outros que precisarmos. Parei, hoje, pra desviar um pouco o olhar e prestar atenção em tantas outras coisas e pessoas que me fazem feliz e me completam sem a menor necessidade de angústia pra reservar mesa em restaurante ou dar presente em formato de coração. É lindo ser uma "mal-amada" que se sente, sim, muito amada por quem realmente importa.
Como bizarra que sou, tenho umas playlists no iTunes para cada variação de humor (me conhecendo, não tem playlist musical suficiente pra tantos moody swings), de modo que criei a "luvluvluv" pros dias mais românticos e, dia desses, a "I Hate Valentine's Day". Isso tudo pra dizer que, na última, tem uma música com versos bem elucidativos: "Love is just a game, broken all the same and I will get over you. Love is just a lie, happens all the time, swear I know this much is true", disse o The Magic Numbers se encaixando nessa fase cética do meu coração. E é isso mesmo, a gente vive em função do amor, da busca, da construção do carinho, mesmo sabendo estar tudo isso fadado ao fim, ao achar e perder, machucar-se e conviver depois com as cicatrizes (e por que não rir delas?), over and over again. Carregar em si o peso de tantas experiências vividas, tantos motivos pra sorrir e chorar e, principalmente, amadurecer.
Aí vem Jeff Buckley, pra quem pago pau a qualquer época, e diz que "Sometimes a man gets carried away when he feels like he should be having his fun and much too blind to see the damage he's done; Sometimes a man must awake to find that, really, he has no one" e, ah, acho que esses versos falam por si sós. Botton line is, desconsiderando minha agora frequente falta de eloqüência, é tudo uma questão de sentir-se permanentemente em Valentine's Day. Como não tô nessa, e nem na de solteira-na-balada-vamo-caçar, que faço? Vou roer na casa das amigas, essas sim minhas metades! Hahaha. Então, parabéns pra quem ainda tem fé e vê coragem no amor, porque hoje quero cantar "All by myself", me empanturrar de sorvete e, ainda assim, sentir-me feliz com o que/quem tenho!
sábado, 22 de maio de 2010
Mais um da série de textos não-meus
Eu, que às vezes desconfio até de mim mesma, pois minha própria cabeça já me confundiu algumas vezes e me deixou desse jeito, andando como se pisasse em ovos o tempo inteiro.
Eu, que no mínimo sinal de perigo, já disparo uma sirene de ambulância dentro de mim, que me alerta para sair correndo e pular fora.
Mesmo assim, eu acreditei em você.
Óbvio que não dei ouvidos a muita coisa. Sabia que algumas palavras que saiam da sua boca, sem o menor compromisso e disparate, faziam parte do seu repertório. Mas, de alguma forma, me deixei levar.
Quando dei por mim, eu era sua, e você era apenas um personagem, com pseudo-sentimentos e frases de efeito. Mas, não foi mérito seu.
Eu é que fui tola e não percebi que, enquanto prestava atenção nos seus passos para não ser enganada por você, meu próprio coração, em conluio com meu inconsciente, já me sabotavam e estavam prestes a me trair."
via http://aconversaeessa.blogspot.com/
quarta-feira, 5 de maio de 2010
quando palavras me faltam, as copio.
"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."
terça-feira, 13 de abril de 2010
As pessoas são uns lindos problemas.
Eu adoro quando converso com alguém e escuto uma frase que, mesmo na hora não tendo muito valor, passa a fazer muito sentido depois. E foi o que aconteceu dia desses, depois de conversar com um amigo e me dar conta de que, pra atravessar essas situações sem maiores aperreios, não adianta também ser igualmente egoísta e transferir o problema pros outros. A mudança tem que ser em mim. Claro que não é fácil, palavras são muito bonitas e na prática não é bem assim, a escolha de passar por essas situações não é unicamente minha. Se tenho o condão de simplesmente não me importar quando as expectativas são frustradas? Racionalmente, eu responderia que sim. Realisticamente? Quase nunca.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Do Carmo.
Tem dias que lembro gargalhando das tiradas que ela tinha, da irreverência que a idade não levou embora, das frases que arrancavam deliciosas risadas de todos da família. Quantas vezes fui chamada de sonsa e mentirosa, naquele tom de indignação que só ela, ao negar que tinha namorado? E da vez na qual deu um tapa de realidade na minha mãe, lembrando-a da mulher independente e bem resolvida que deveria ser? E os inúmeros feriados com a casa cheia de gente e seu esforço quase rabugento em juntar todo mundo na mesa cedo pra "cear"? Depois de beber umas e outras, vinham os primos conversar safadezas com ela, que rebatia, espirituosa, e deixava todo mundo de cara. Inúmeras são as lembranças em mente desses breves e significativos 16 anos de convívio com a figura.
Noutros dias, os mais nostálgicos, fico triste, com saudade, querendo que as coisas tivessem sido diferentes. É estranho relembrar como participei tão ativamente de um leito de morte, como assisti pessoa tão querida afastar-se de mim vagarosamente.. mas o que ficou dela em mim, tenho certeza, vai muito além do plano físico, do material. O amor de Carminha e Zé Batatinha funcionou como um laço forte, uma cola (e aqui entram todas as metáforas relacionadas à união) de manutenção da família e da coesão entre pessoas que, mesmo tão diferentes e complicadas, são capazes de amar, respeitar, entender, compartilhar. Nem na hora da partida deixaram-nos esquecer que é isso o que importa. Hoje, vivendo num mundo onde presencio(amos) tantas coisas desmoronando, tudo virando efêmero e perdendo significado num estalar de dedos, ter essa referência me conforta.
"A mão que alisa é um ralo". Nunca a ouvi dizer essa frase, na verdade, e ao mesmo tempo dela jamais esquecerei. Sou capaz de imaginá-la proferindo palavras tão certas, sábias, reais. Não canso de me impressionar com a profundidade das coisas que saíam da boca dela.
Quando questionadas a respeito de uma referência feminina, muitas pessoas responderiam sei lá, a mãe, Madonna, Marilyn Monroe, Janis Joplin, as feministas que queimaram seus sutiãs; eu responderia Maria do Carmo. Sem titubear.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
ócio + vontade de postar = survey inútil, mas legal :)
If I were a day of the week, I’d be Friday
If I were a time of day, I’d be 9 PM
If I were a planet, I’d be Uranus
If I were a sea animal, I’d be a dolphin
If I were a direction, I’d be South
If I were a piece of furniture, I’d be a bookcase/closet
If I were a liquid, I’d be tequila
If I were a gemstone, I’d be a ruby
If I were a tree, I’d be a cherry tree
If I were a tool, I’d be a hammer
If I were a flower, I’d be a orchid
If I were a kind of weather, I’d be a cloudy
If I were a musical instrument, I’d be drums
If I were a color, I’d be purple
If I were an emotion, I’d be kindness
If I were a fruit, I’d be a strawberry
If I were a sound, I’d be music
If I were an element, I’d be fire
If I were a food, I’d be a brownie
If I were a place, I’d be London
If I were a material, I’d be Silk
If I were a taste, I’d taste like bittersweet chocolate
If I were a scent, I’d be 212 by Carolina Herrera
If I were an animal, I’d be a pink flamingo/sloth
If I were an object, I’d be a book
If I were a body part, I’d be cheeks
If I were a facial expression, I’d be a laugh
If I were a song, I’d be The Bends - Radiohead
If I were a pair of shoes, I’d be polka dot flats
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Quando uma música diz mais do que consigo
Falling over backwards for you
Falling over everybody else
I put myself in that position
Everytime I have the chance
I know it's not my business, to be
Digging up these things I shouldn't know
Twenty years of bad decisions
Haven't taught me much at all
Separate events you're making
Everyone pretend it's not your fault
And all of this offense you're taking
Doesn't really bother me at all
Twist my arm 'cause that's the way you think you're gonna work this whole thing out
You know you own my body but don't think that you control my mouth
Having every question answered
Is it gonna help at all?
Having every question answered
Doesn't help
When you're not supposed to know
You're not supposed to know
You're not supposed to know
Anything
Another textbook situation
Everything I think I know I've read
What's the point of medication?
All it makes me wish that I were dead
It's pretty clear that you are me
It's written here on every single page
I'm spitting blood, not stupid
I can read it all over your face
