segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Só o tempo mesmo ou nem mesmo o tempo?

No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso
Ele não vai poder me esquecer

Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
pra ter argumento

Mas fico sem jeito, calado
Ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar


E eu não sei.


'Resposta ao Tempo', cantada por Milton. Motivos mais do que suficientes pra eu lembrar de você, que me fez e agora quer me desfazer.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Presente conciso, passado expansivo

É engraçado como o mundo contemporâneo desenvolveu em nós essa tendência a simplificar a maneira de expressar certas ideias. Abreviações, gírias, resumos: a corrida louca que é viver nos dias de hoje exige respostas mais rápidas, atitudes mais imediatas, concisão nas palavras. Nessa velocidade avassaladora, muita coisa se perde: pensamentos capazes de encher parágrafos e mais parágrafos ficam resumidos à trabalhosa missão de não ultrapassar 140 caracteres. Relendo meu twitter, me deparei com algo que, embora marcante na época, ficou renegado a 21 palavras. Em duas frases curtas tive o descuido de resumir um fato tão cheio de significado - algo que me acompanha desde que me entendo por gente e que definiu muito do que sou.
Então, agora atenta, tenho a necessidade de discorrer em linhas extensas sobre a maneira como o passado exerce influência no agora. De tíquetes de cinema a etiquetas de roupas, sempre tive essa síndrome de esquilo, arquivando tudo que pudesse me arrancar alguma lembrança posteriormente. Guardo até hoje uns pedacinhos de gesso de parede nos quais uma amiga me escreveu recados: a amizade pereceu, mas o registro dela fica lá, preservado. Aquela minha caixa azul com desenho de ursinhos funciona como uma espécie de portal para um tempo já ido. É a máquina do tempo mais simples do mundo, feita apenas de papelão e elástico. Olhar, vezenquando, pros pedaços de gesso, pros bilhetes de cinema, pras cartinhas, chaveiros e fotos 3x4 por muito tempo mantidos é como um teletransporte para uma realidade hoje apenas existente numa parte pequena da minha mente. Pequena porque lembranças desbotam com o tempo, afastam-se do centro da atividade cerebral, mas não perdem sua importância. Nunca. E foi exatamente essa constatação que me atingiu quando encontrei, dentro de um livro antigo da estante enorme aqui de casa, um pedaço de papel já amarelado. Poucas palavras escritas numa letra inconfundível e tantas coisas do passado guardadas entre as folhas de 'On the Road'. Páginas que fizeram aflorar sentimentos muito além dos provocados pela deliciosa leitura.
"As plantas estão sêcas.", dizia o bilhete, datado de 1981 e ainda numa gramática hoje obsoleta. Eu sequer existia nesse mundo, e consigo extrair, agora, muito significado dessas quatro palavrinhas. A surpresa de encontrar uma frase tão crua foi capaz de despertar uma infinidade de pensamentos, aguçar a imaginação e, por fim, me fazer conformar sobre uma série de acontecimentos. Pra quê tanto desgaste? As plantas simplesmente secaram. Não há muito o que se fazer, além de guardar em bilhetes e pedaços de fitas e bugigangas as memórias de um passado outrora tão importante. Secas, mas boas.

domingo, 24 de outubro de 2010

Encontros e Despedidas

Até pra dar uma amenizada nas temáticas sentimentalóides que andavam rolando por aqui, resolvi falar sobre uma coisa, ou melhor, sobre um lugar que talvez seja um dos meus favoritos: o aeroporto. Não sei explicar racionalmente o porquê desse refúgio, mas aeroportos de uma maneira geral muito me dizem. Quando sou eu quem está viajando, desperta-se a expectativa do novo, o frio na barriga na hora da decolagem que também revela o embrulho no estômago por estar buscando novas vivências. São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e é a mesma sensação toda santa vez: o congelamento dentro do corpo, a excitação pelo que estava/está por vir.
De todo modo, o simples fato de ir ao aeroporto sem passagens compradas ou bagagem a tiracolo me dá uma inexplicável paz de espírito. Ainda que carregada da tristeza por deixar alguém querido ir embora, a situação toda, o abraço derradeiro na frente do portão de embarque é capaz de revelar muito sobre sentimentos verdadeiros. Nos poucos minutos que antecedem a última chamada para embarque imediato, devemos agir rapidamente e deixar apenas as palavras importantes chegarem a seu destino: nesse momento, diz-se somente o essencial, o "te cuida, boa viagem, sentirei saudades" que comprova a importância daquela pessoa na nossa vida e o buraco instaurado enquanto ela está ausente.
Muito mais numerosas do que os bilhetes comprados em meu nome são as lembranças que guardo de momentos assim, nos quais fica atestada a representatividade exata das pessoas que deixo, não para saírem de minha vida, mas para encontrarem outros modos de se fazerem presentes. Distância está bem longe de ser determinada por fatores geográficos, disso sei bem.
Que as despedidas tragam lágrimas, sim. E que sirvam, antes de mais nada, para nutrir a expectativa do reencontro. O buraco outrora fincado no peito é instantaneamente curado, em um preenchimento ainda mais realizador. Mal posso esperar pela próxima oportunidade de ouvir aquele "Flight number zeroeightfiveseven from..." dito no inglês mais amador e ao mesmo tempo confortante ever!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dificilmente se arranca a lembrança.

É engraçado como certos pensamentos do passado vez por outra tornam a incomodar. Não remontam fatos realmente marcantes, são lembranças de coisas bestas, como aquela vez em que a angustiante demora dele responder no MSN foi pra te dedicar uma canção ou como aquela rua cheia de lombadas, antes nunca notada, arrancava comentários quando passavam juntos por ela, ou quem sabe aquele sorvete de Laka que remete ao dia em que vocês fizeram um desastre na cozinha tentando cozinhar. E bate uma saudade diferente, aquela saudade que grita baixinho (sim, com esse paradoxo do grito sussurrado mesmo, pra ilustrar a indefinição do momento), que tem medo de se mostrar presente e escolhe os momentos mais aleatórios e inoportunos pra se manifestar.
Daí você se pega avaliando casa momento, cada pequena situação, cada olhada de canto ou alteração sutil no tom de voz que possam indicar um sinal de que ele se importa ou algum dia se importou. Passa a imaginar que a maneira como aquela vírgula foi colocada numa frase dele pode indicar um sentimento muito grande por trás, ou mesmo aquele "Bom Dia" dito de forma não-usual pode querer passar uma mensagem bem diferente de cordialidade matinal.
Diante de tantos sentimentos e lembranças contrapostos, só há mesmo que se pensar em uma saída: procurar conviver bem com o passado. Sossegar o coração, dar-se conta de que dificilmente se arranca a lembrança e que, enquanto houver a dor, por mais fina que ela seja, o latejar das feridas serve também pra lembrar do quanto podes se fortalecer no meio de tudo isso. Um dia, essas lembranças serão apenas causos contados pros amigos numa mesa de bar, arrodeados de risadas e "Cê acredita que isso aconteceu comigo? Digaí!".

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Reflitäo

Hoje, andando pela casa, terminei ouvindo de relance o seguinte diálogo entre meu irmão de dez anos e a moça que trabalha aqui:
Martim: Neide, você não acha que ia ser mais justo votar em um candidato por causa das referências dele, as coisas boas que ele fez enquanto governou, as obras, a ajuda às pessoas e seus "antepassados" (acho que ele quis dizer antecedentes, haha)?
Neide: Ah não, pra mim ele me dando um emprego eu já votava nele.
Martim: Mas você não pode pensar só em você, tem que escolher um candidato porque ele vai ser capaz de ajudar a toda a sociedade! (meu irmão é um gênio mirim, tenho dito.)
Neide: Eu tô entendendo o que você tá dizendo, mas eu não... ah, eu não sei dizer não, só sei que eu ia votar nele mermo.
Martim: Te entendo, mas continuo achando isso muito errado.

Depois de dar umas risadas diante da esperteza do meu pirralho, parei pra pensar em como esse corriqueiro diálogo escancara uma série de abismos presentes no País, situações preocupantes que revelam que ainda estamos caminhando a passos tímidos na construção de uma democracia plena. A cegueira das classes menos favorecidas diante do resquício de coronelismo que existe na política nacional contrastou com a inocência infantil de achar que basta ter "bons antepassados" e pronto, tá eleito e nunca será corrupto. É, fica cada dia mais complicado tentar esboçar uma opinião clara e convicta quando o assunto é política. O momento de eleições, campanhas eleitorais, escândalos, acusações e discussões no STF finda por deixar a maior parte da população assim, perdida no meio do tiroteio, sem saber direito se a solução é a indiferença completa e desacreditada ou a indignação gritada dos mais fundamentalistas. A mim, resta presenciar diálogos como esse e refletir sobre onde é que eu fico, em que ponto da reta que separa esses dois extremos estarei pisando no próximo domingo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Saibamos pois:

Estamos sós."



depois de um tempo, começa a fixar-se em mim a noção de que a vida não passa de um repetir de ciclos: depositar confiança nas pessoas, alimentar expectativas acerca das coisas e das relações humanas, e posteriormente quebrar a cara. Over and over again.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Speaks for itself.

Isso tá errado
Eu não sou nenhum bicho noturno
Eu quero dormir no escuro e só acordar se for claro pra mim
E se acontecer do meu corpo cansar antes da hora
Se a vida de mim for embora, tô pronto pra nova visão

Esse é o contrato que nem precisou assinar embaixo
Faz morrer um amor ainda no parto
Pra recomeçar com outro ainda maior
Pra viver de amor, tem que morrer milhões de amores fracos
Pra dar força àquele que é farto

E o tempo pára - e parece que parou...

(Mamelungos - Bicho Noturno)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Bem leve leve, releve

(foto tirada daqui)

E as coisas ficam bem mais l e v e s após a bela constatação de que de nada adianta se culpar, martirizar, flagelar: há motivos superiores para as coisas acontecerem, razões maiores de ser do que aquela pequena coisinha que você fez e achou ter desencadeado um monte de outras tantas. Vai ver tudo pode ser mais simples, sem a necessidade de ser indicado um culpado, sem precisar que os milhares de jurados em volta me apontem os dedos, cochichem entre si e ordenem como devo agir. Sabe aquele tão batido "não é você, sou eu?"? Bom, vai ver foi você mesmo, porque eu, aahhhm eu tô a fim de viver as coisas, sem preocupação, sem pressa, sem dor! :)

domingo, 27 de junho de 2010

Tanta gente no meu rumo, mas eu sempre vou só. Tanta gente no meu rumo, já não sei viver só...

Tenho alguns posts esperando para serem desenvolvidos nos rascunhos, mas não vem ao caso agora. Eles vão ter que esperar, porque OLHA, esse feriado trouxe tanta coisa, tantas surpresas, reviravoltas e epifanias que, depois de muita angústiachorodesabaforeflexão, resolvi contrapor aqui duas músicas (de novo, elas, as canções e a sabedoria de seus versos...) e falar dos diferentes sentimentos que cada uma desperta. Vamo lá:

Radiohead - The Bends
Não é de se estranhar que uma música de Radiohead diga muito sobre mim, mas esses versos meio ácidos fizeram muito sentido esses dias, dias de destruição de referências e da triste descoberta de que o egoísmo e a falta de sensibilidade aparecem justamente quando você menos espera: Where do we go from here? The words are coming out all weird. Where are you now when I need you? I need to wash myself again to hide all the dirt and pain 'cause I'd be scared that there's nothing underneath... And who are my real friends? Have they all got the bends? Am I really sinking this low? We don't have any real friends - No no no. É mais ou menos isso, sabe, Thom Yorke definiu muito bem o que eu preciso fazer: me lavar de tanta feladaputice e falta de consideração que existe por aí, pra ver se as coisas melhoram. Agora, mudando completamente de tom, música número dois:

Milton Nascimento - Que bom amigo
Esse áudio tá uma porcaria, mas a música vale muito a pena. Primeiro porque é Milton Nascimento, e Bituca dispensa maiores justificativas. Taí uma pessoa que tem o dom pra tornar não só as músicas, mas as coisas em geral mais bonitas. Depois de passar a madrugada ouvindo algumas dele que acenderam em mim a vibe melancólica da música radioheadiana acima, sobre estar só e sobre as dificuldades da vida, me deparo com essa boa surpresa... Porque é muito bom, depois do transtorno emocional de descobrir que certas pessoas não são lá aquilo que você imaginava, e que a vida te esmurra e tá cheia de gente prestes a te decepcionar a cada lado que você olha, constatar que vai ter alguém - mesmo que seja um único alguém, nesse momento - que te tira dessa e mostra que há esperança na humanidade. Alguém pra quem você consegue se mostrar mesmo quando a vontade é de que ninguém te veja naquele estado. Alguém pra escutar seu choro, mesmo sem dizer nada, e depois te fazer rir ainda derramando lágrimas dos olhos. Já disse antes aqui que confiança não se cobra, mas esse alguém supera essas barreiras e permite que você vença qualquer orgulho e diga "preciso de você, fica do meu lado, não me larga, por favor." Que bom, amigo, poder saber outra vez que estás comigo, dizer com certeza outra vez a palavra amigo. Se bem que isso nunca deixou de ser... Que bom, amigo, poder dizer o teu nome a toda hora, a toda gente, sentir que tu sabes que estou pro que der contigo. Se bem que isso nunca deixou de ser.. Que bom, amigo, saber que na minha porta, a qualquer hora, uma daquelas pessoas que a gente espera, que chega trazendo a vida, será você. Sem preocupação.

sábado, 19 de junho de 2010

Parafraseando

Já deve ter ficado um saco pra quem me lê (se é que existe alguém capaz de realmente me ler) esse uso desenfreado de citações e frases e versos e pensamentos que não seriam exatamente meus, mas que, na realidade, são sim muito meus, apenas não de minha autoria. O fato é que achei um arquivo do bloco de notas com uma série de textos que garimpei tempo desses em blogs e músicas perdidas; algumas, guardei porque vivia uma fase relativamente boa, embora tivesse consciência de seu prazo de validade, e no momento não se encaixavam. Outras, simplesmente salvei pela covardia de mostrar a quem queria - melhor assim.
De maneira geral, são frases que eu sabia terem alguma utilidade pra mim algum dia, mesmo como placebo. E é chato, eu sei, referir-me sempre ao mesmo assunto, aquela mesma ladainha imbecil de quem não vira o disco - mesmo sendo este um belo d'um pirata arranhado -, mas sinto ter chegado a hora de colocar pra fora, dar alguma utilidade a essas coisas guardadas - no HD do computador e na minha cabeça. As fontes são tantas e tão diferentes entre si, e mesmo assim dá pra fazer um texto corrido surpreendentemente coeso. Então, lá vai:

"Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada... Às vezes quero crer mas não consigo, é tudo uma total insensatez, aí pergunto a Deus: escute, amigo, se foi pra desfazer, por que é que fez? Não há pra quê chorar por um amor que já morreu. Deixa pra lá, eu vou, adeus; meu coração já se cansou de falsidade... E quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho. E fatalmente se fode, porque está tentando adequar/ajustar um arquétipo, uma imagem de toda a nossa infinita carência, nossa assustadora sede, a uma realidadezinha infinitamente inferior. E, de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Eu gosto de gostos, eu gosto de pele, de cheiro, de amor verdadeiro."

perdão a quem citei sem dar os devidos créditos; pelo menos coloquei aspas..
ouvindo: Santa Chuva - Marcelo Camelo - totalmente compatível com Recife por esses dias...

sábado, 12 de junho de 2010

Pra que ficar assim desesperada se ele falou que não lhe quer?

Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro

Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco?
Seu rosto é mais bonito rindo

-Otto

Love is just a game

Relutei muito antes de decidir escrever um texto sobre o tão falado dia dos namorados: não queria fazer parte nem do grupo dos que tão na vibe de achar tudo lindo e celebrar, tampouco dos mal-amados que dizem se tratar de uma estratégia publicitária só porque não vão ganhar chocolate e presente. Então, presa no meio termo, resolvi apenas falar sobre experiências que me fizeram perceber que, no final das contas, não importa muito o apego a uma data, e sim o que se passa aqui dentro.
Já me forcei a achar lindo um jantar de dia dos namorados enquanto sofria por dentro, tentando comemorar um amor já definhado. De outra vez, me senti péssima e com a auto-estima lá embaixo por não ter alguém pra ligar logo de manhã dizendo "bom dia, amor, feliz dia nosso". Hoje, penso que nada disso, nenhum desses sentimentos antagônicos tem valor em si mesmos. Não é questão de assumir solteirisse ou algo do tipo, acho que passa muito por estar bem com você mesmo, independente de ser doze de junho, catorze de agosto ou vinte e nove de novembro. E, pra isso, fazendo uma referência meio Sex and the City, falo aqui das minhas amigas, porque seremos each other's soulmates nesse dia e em todos os outros que precisarmos. Parei, hoje, pra desviar um pouco o olhar e prestar atenção em tantas outras coisas e pessoas que me fazem feliz e me completam sem a menor necessidade de angústia pra reservar mesa em restaurante ou dar presente em formato de coração. É lindo ser uma "mal-amada" que se sente, sim, muito amada por quem realmente importa.
Como bizarra que sou, tenho umas playlists no iTunes para cada variação de humor (me conhecendo, não tem playlist musical suficiente pra tantos moody swings), de modo que criei a "luvluvluv" pros dias mais românticos e, dia desses, a "I Hate Valentine's Day". Isso tudo pra dizer que, na última, tem uma música com versos bem elucidativos: "Love is just a game, broken all the same and I will get over you. Love is just a lie, happens all the time, swear I know this much is true", disse o The Magic Numbers se encaixando nessa fase cética do meu coração. E é isso mesmo, a gente vive em função do amor, da busca, da construção do carinho, mesmo sabendo estar tudo isso fadado ao fim, ao achar e perder, machucar-se e conviver depois com as cicatrizes (e por que não rir delas?), over and over again. Carregar em si o peso de tantas experiências vividas, tantos motivos pra sorrir e chorar e, principalmente, amadurecer.
Aí vem Jeff Buckley, pra quem pago pau a qualquer época, e diz que "Sometimes a man gets carried away when he feels like he should be having his fun and much too blind to see the damage he's done; Sometimes a man must awake to find that, really, he has no one" e, ah, acho que esses versos falam por si sós. Botton line is, desconsiderando minha agora frequente falta de eloqüência, é tudo uma questão de sentir-se permanentemente em Valentine's Day. Como não tô nessa, e nem na de solteira-na-balada-vamo-caçar, que faço? Vou roer na casa das amigas, essas sim minhas metades! Hahaha. Então, parabéns pra quem ainda tem fé e vê coragem no amor, porque hoje quero cantar "All by myself", me empanturrar de sorvete e, ainda assim, sentir-me feliz com o que/quem tenho!

sábado, 22 de maio de 2010

Mais um da série de textos não-meus

"Eu cai no seu jogo. Logo eu, toda desconfiada, toda cética, toda calejada por outros tipinhos ordinários que se aproveitaram do meu coração virgem de canalhices e me deixaram cheia de marcas e mecanismos de defesa.
Eu, que às vezes desconfio até de mim mesma, pois minha própria cabeça já me confundiu algumas vezes e me deixou desse jeito, andando como se pisasse em ovos o tempo inteiro.
Eu, que no mínimo sinal de perigo, já disparo uma sirene de ambulância dentro de mim, que me alerta para sair correndo e pular fora.
Mesmo assim, eu acreditei em você.
Óbvio que não dei ouvidos a muita coisa. Sabia que algumas palavras que saiam da sua boca, sem o menor compromisso e disparate, faziam parte do seu repertório. Mas, de alguma forma, me deixei levar.
Quando dei por mim, eu era sua, e você era apenas um personagem, com pseudo-sentimentos e frases de efeito. Mas, não foi mérito seu.
Eu é que fui tola e não percebi que, enquanto prestava atenção nos seus passos para não ser enganada por você, meu próprio coração, em conluio com meu inconsciente, já me sabotavam e estavam prestes a me trair."

via http://aconversaeessa.blogspot.com/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

quando palavras me faltam, as copio.

"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."


Medo de se apaixonar - Fabrício Carpinejar. lindolindolindo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

As pessoas são uns lindos problemas.

Olha, pra tornar melhor a existência nesse mundo cão da gente, é preciso colocar na cabeça (ainda que na marra) que, no final das contas, as pessoas só estão mesmo preocupadas com elas mesmas e não adianta esperar nada além disso. Não que esse egoísmo seja de todo ruim, é preciso mesmo valorizar a si próprio, e saber que tá cada um por si já ajuda a evitar algumas decepções. No meu caso, no entanto, essa parece ser uma ideia quase impossível de assimilar. Já falei por aqui algumas vezes sobre como expectativas e o posterior desmonoramento delas me afetam e sobre como é necessário mantê-las lá embaixo, e esse ainda me parece ser um assunto inesgotado. Talvez esse tema se repita por eu nunca ter encontrado alguém que me trouxesse segurança quanto a isso. Nem mesmo a referência familiar, acho até. O fato é que persisto no erro de acreditar que as coisas poderiam ser mais como espero/alimento/prevejo. Pode soar mimado, e de fato o é, mas eu não ia reclamar se as coisas ocorressem um pouco como eu gostaria, se algumas pessoas pudessem perceber que o mundo não gira ao redor do próprio umbigo, e que é muito fácil tratar alguém bem porque agora é conveniente, mas depois desprezar porque well, não era bem o que pensava. E de nada adianta reclamar, espernear ou conversar: consideração é uma coisa impossível de ser cobrada. Não consigo me imaginar mendigando de alguém atençãoconfiançaconsideraçãorespeito, mesmo depois de um esforço tremendo pra essas coisas serem construídas e tornadas sólidas.
Eu adoro quando converso com alguém e escuto uma frase que, mesmo na hora não tendo muito valor, passa a fazer muito sentido depois. E foi o que aconteceu dia desses, depois de conversar com um amigo e me dar conta de que, pra atravessar essas situações sem maiores aperreios, não adianta também ser igualmente egoísta e transferir o problema pros outros. A mudança tem que ser em mim. Claro que não é fácil, palavras são muito bonitas e na prática não é bem assim, a escolha de passar por essas situações não é unicamente minha. Se tenho o condão de simplesmente não me importar quando as expectativas são frustradas? Racionalmente, eu responderia que sim. Realisticamente? Quase nunca.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Do Carmo.

Planejava há tempos escrever sobre minha já ida 'abuela'. Pensei em aproveitar que o aniversário dela se aproximava (lá por fevereiro), mas por fuga, falta de inspiração ou coisa qualquer, deixei passar.. Hoje, dia doze - dia dela - e também aniversário do meu pai -, me parece uma época apropriada: presente melhor não haveria de dar.
De vez em quando me pego pensando no que ela foi, é, no que tanto representou - e ainda o faz - pra mim. É difícil ter que revirar esses pensamentos, cavar e constatar que a presença dela é assim, tão insubstituível. Não tem jeito: tudo seria diferente se ela tivesse aqui, disso tenho certeza. Às vezes, em situações das mais inusitadas e por motivos variados, me pego pensando "aah, mas se Dona Carminha visse isso" ou "dava tudo pra ouvir o que Carminha diria". Quanta autenticidade, pulso firme, personalidade haviam naquela mulher!
Tem dias que lembro gargalhando das tiradas que ela tinha, da irreverência que a idade não levou embora, das frases que arrancavam deliciosas risadas de todos da família. Quantas vezes fui chamada de sonsa e mentirosa, naquele tom de indignação que só ela, ao negar que tinha namorado? E da vez na qual deu um tapa de realidade na minha mãe, lembrando-a da mulher independente e bem resolvida que deveria ser? E os inúmeros feriados com a casa cheia de gente e seu esforço quase rabugento em juntar todo mundo na mesa cedo pra "cear"? Depois de beber umas e outras, vinham os primos conversar safadezas com ela, que rebatia, espirituosa, e deixava todo mundo de cara. Inúmeras são as lembranças em mente desses breves e significativos 16 anos de convívio com a figura.
Noutros dias, os mais nostálgicos, fico triste, com saudade, querendo que as coisas tivessem sido diferentes. É estranho relembrar como participei tão ativamente de um leito de morte, como assisti pessoa tão querida afastar-se de mim vagarosamente.. mas o que ficou dela em mim, tenho certeza, vai muito além do plano físico, do material. O amor de Carminha e Zé Batatinha funcionou como um laço forte, uma cola (e aqui entram todas as metáforas relacionadas à união) de manutenção da família e da coesão entre pessoas que, mesmo tão diferentes e complicadas, são capazes de amar, respeitar, entender, compartilhar. Nem na hora da partida deixaram-nos esquecer que é isso o que importa. Hoje, vivendo num mundo onde presencio(amos) tantas coisas desmoronando, tudo virando efêmero e perdendo significado num estalar de dedos, ter essa referência me conforta.
"A mão que alisa é um ralo". Nunca a ouvi dizer essa frase, na verdade, e ao mesmo tempo dela jamais esquecerei. Sou capaz de imaginá-la proferindo palavras tão certas, sábias, reais. Não canso de me impressionar com a profundidade das coisas que saíam da boca dela.
Quando questionadas a respeito de uma referência feminina, muitas pessoas responderiam sei lá, a mãe, Madonna, Marilyn Monroe, Janis Joplin, as feministas que queimaram seus sutiãs; eu responderia Maria do Carmo. Sem titubear.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ócio + vontade de postar = survey inútil, mas legal :)

If I were a month, I’d be December
If I were a day of the week, I’d be Friday
If I were a time of day, I’d be 9 PM
If I were a planet, I’d be Uranus
If I were a sea animal, I’d be a dolphin
If I were a direction, I’d be South
If I were a piece of furniture, I’d be a bookcase/closet
If I were a liquid, I’d be tequila
If I were a gemstone, I’d be a ruby
If I were a tree, I’d be a cherry tree
If I were a tool, I’d be a hammer
If I were a flower, I’d be a orchid
If I were a kind of weather, I’d be a cloudy
If I were a musical instrument, I’d be drums
If I were a color, I’d be purple
If I were an emotion, I’d be kindness
If I were a fruit, I’d be a strawberry
If I were a sound, I’d be music
If I were an element, I’d be fire
If I were a food, I’d be a brownie
If I were a place, I’d be London
If I were a material, I’d be Silk
If I were a taste, I’d taste like bittersweet chocolate
If I were a scent, I’d be 212 by Carolina Herrera
If I were an animal, I’d be a pink flamingo/sloth
If I were an object, I’d be a book
If I were a body part, I’d be cheeks
If I were a facial expression, I’d be a laugh
If I were a song, I’d be The Bends - Radiohead
If I were a pair of shoes, I’d be polka dot flats

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quando uma música diz mais do que consigo

A cada dia fico mais convencida do poder que a música tem em minha vida. Na vida em geral. Pra cada momento que vivo, existe uma canção - ou duas, três, quatro... - absurdamente perfeita, com uma letra que sutilmente se encaixa na minha história, minha situação. Isso às vezes me espanta, mas também emociona. Até o fato de existirem músicas pra cada momento é retratado em uma! Milton Nascimento disse "certas canções que ouço cabem tão dentro de mim que perguntar carece: "Como não fui eu que fiz?" e isso basta. Eu podia simplesmente ter colado esses versos aqui e voilà, foi-se embora a necessidade de formular frases descontínuas e sem o devido significado. E é por isso que hoje exponho o que sinto com uma dessas músicas biográficas:

Falling over backwards for you
Falling over everybody else
I put myself in that position
Everytime I have the chance

I know it's not my business, to be
Digging up these things I shouldn't know
Twenty years of bad decisions
Haven't taught me much at all

Separate events you're making
Everyone pretend it's not your fault
And all of this offense you're taking
Doesn't really bother me at all

Twist my arm 'cause that's the way you think you're gonna work this whole thing out
You know you own my body but don't think that you control my mouth
Having every question answered
Is it gonna help at all?
Having every question answered
Doesn't help

When you're not supposed to know
You're not supposed to know
You're not supposed to know
Anything

Another textbook situation
Everything I think I know I've read
What's the point of medication?
All it makes me wish that I were dead

It's pretty clear that you are me
It's written here on every single page
I'm spitting blood, not stupid
I can read it all over your face