Hoje, andando pela casa, terminei ouvindo de relance o seguinte diálogo entre meu irmão de dez anos e a moça que trabalha aqui:
Martim: Neide, você não acha que ia ser mais justo votar em um candidato por causa das referências dele, as coisas boas que ele fez enquanto governou, as obras, a ajuda às pessoas e seus "antepassados" (acho que ele quis dizer antecedentes, haha)?
Neide: Ah não, pra mim ele me dando um emprego eu já votava nele.
Martim: Mas você não pode pensar só em você, tem que escolher um candidato porque ele vai ser capaz de ajudar a toda a sociedade! (meu irmão é um gênio mirim, tenho dito.)
Neide: Eu tô entendendo o que você tá dizendo, mas eu não... ah, eu não sei dizer não, só sei que eu ia votar nele mermo.
Martim: Te entendo, mas continuo achando isso muito errado.
Depois de dar umas risadas diante da esperteza do meu pirralho, parei pra pensar em como esse corriqueiro diálogo escancara uma série de abismos presentes no País, situações preocupantes que revelam que ainda estamos caminhando a passos tímidos na construção de uma democracia plena. A cegueira das classes menos favorecidas diante do resquício de coronelismo que existe na política nacional contrastou com a inocência infantil de achar que basta ter "bons antepassados" e pronto, tá eleito e nunca será corrupto. É, fica cada dia mais complicado tentar esboçar uma opinião clara e convicta quando o assunto é política. O momento de eleições, campanhas eleitorais, escândalos, acusações e discussões no STF finda por deixar a maior parte da população assim, perdida no meio do tiroteio, sem saber direito se a solução é a indiferença completa e desacreditada ou a indignação gritada dos mais fundamentalistas. A mim, resta presenciar diálogos como esse e refletir sobre onde é que eu fico, em que ponto da reta que separa esses dois extremos estarei pisando no próximo domingo.
Martim: Neide, você não acha que ia ser mais justo votar em um candidato por causa das referências dele, as coisas boas que ele fez enquanto governou, as obras, a ajuda às pessoas e seus "antepassados" (acho que ele quis dizer antecedentes, haha)?
Neide: Ah não, pra mim ele me dando um emprego eu já votava nele.
Martim: Mas você não pode pensar só em você, tem que escolher um candidato porque ele vai ser capaz de ajudar a toda a sociedade! (meu irmão é um gênio mirim, tenho dito.)
Neide: Eu tô entendendo o que você tá dizendo, mas eu não... ah, eu não sei dizer não, só sei que eu ia votar nele mermo.
Martim: Te entendo, mas continuo achando isso muito errado.
Depois de dar umas risadas diante da esperteza do meu pirralho, parei pra pensar em como esse corriqueiro diálogo escancara uma série de abismos presentes no País, situações preocupantes que revelam que ainda estamos caminhando a passos tímidos na construção de uma democracia plena. A cegueira das classes menos favorecidas diante do resquício de coronelismo que existe na política nacional contrastou com a inocência infantil de achar que basta ter "bons antepassados" e pronto, tá eleito e nunca será corrupto. É, fica cada dia mais complicado tentar esboçar uma opinião clara e convicta quando o assunto é política. O momento de eleições, campanhas eleitorais, escândalos, acusações e discussões no STF finda por deixar a maior parte da população assim, perdida no meio do tiroteio, sem saber direito se a solução é a indiferença completa e desacreditada ou a indignação gritada dos mais fundamentalistas. A mim, resta presenciar diálogos como esse e refletir sobre onde é que eu fico, em que ponto da reta que separa esses dois extremos estarei pisando no próximo domingo.
MARTIM É LINDO
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