sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

E ter que acreditar num caso sério e na melancolia.

Dificilmente se arranca a lembrança, a lembrança, a lembrança. Por isso não se esquece a dor - dói. Quando eu sai da tua via, bati a porta, saí morrendo de medo do desejo. Do desejo de ficar. Num dia assim calado você me mostrou a vida, e agora vem dizer pra mim que é despedida... Saudade de te procurar. Naquela mesa ele contava histórias que hoje na memória eu trago e sei de cor. Naquela mesa ele juntava a gente e contava contente o que fez de manhã, e nos seus olhos era tanto brilho que eu fiquei seu fã!
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odeio essa melancolia barata e o fato de ter que criar, contra minha vontade, um hiato nas coisas boas pra ficar alimentando angústia. sinceramente (e pode até não parecer), não acredito ser uma dessas pessoas que vivem mergulhadas em problemas e adoram sofrimento, crise, lamentação. tá certo, tristeza não tem fim, felicidade sim - isso eu bem sei. um choro baixinho, melancolia, frustração têm seu valor (e num momento posterior, principalmente), mas há um limite. e eu não quero mais isso não. não quero que o pensamento simplesmente (re)apareça out of the blue pra me atormentar logo quando acho que nunca estive melhor. não quero precisar lidar com dramas que nem mesmo criei. não preciso que você volte pra lembrar do que já passou, ou melhor, do que sequer aconteceu. é, Otto disse bem em seus versos: tô morrendo de medo do desejo de ficar. mas bati a porta.

domingo, 8 de novembro de 2009

Exijo respeito, não sou mais um sonhador

Nós somos criados para alimentar expectativas. Desde pequenos, agimos na tentativa de conquistar a aprovação da família, dos amigos, das pessoas mais populares (e maldosas) do colégio, dos professores, de todo mundo. Mil expectativas são criadas sobre quem devemos ser, ou como deveríamos (e devemos) agir para corresponder ao que os outros pensam de nós. Mas, principalmente, aprende-se desde cedo a criar expectativas sobre os outros. E assim, são construídas necessidades, opiniões pre-fabricadas sobre o ser e o agir de quem nos cerca, essas nem sempre concretizadas. Quase nunca, na verdade. A gente quebra a cara bonitinho quando percebe que existe, de fato, apenas uma projeção deturpada e inalcançável de como gostaríamos que as pessoas fossem e agissem. Eu espero demais dos outros. Por egoísmo, talvez, ou pelo jeito meio sonhador, cultivei internamente o hábito de esperar das pessoas muito mais do que elas podem me dar. Naturalmente, existem aquelas capazes de destruir o premeditado e me surpreender positivamente. Mas, na maioria das vezes, eu fico querendo que a pessoa enxergue o meu lado, que leve em consideração meus sentimentos, que procure me compreender. Quanta expectativa inatingível, mesmo! Raramente se vê alguém altruísta o suficiente pra preocupar-se tanto assim com os sentimentos do outro, ainda mais com os meus. Aí, depois de perceber a farsa dessas especulações, a gente desiste de sonhar, torna-se exageradamente cético, descrente da humanidade. Coloco na cabeça que não vou esperar mais nada de ninguém e that's it, vocês que venham me procurar, porque cansei de tentar imaginar que existia alguma consideração por mim. Já era. Eis que aí, de repente, não mais que de repente, lá vou eu de novo como um tolo, procurar o desconsolo que cansei de conhecer*, imaginando o que a pessoa poderia fazer pra se redimir, desejando que percebam o erro e voltem atrás. Mais construção de expectativas. Mais coisa a ser posteriormente desconstruída. Mais um ciclo (quase) sem fim.

*Retrato em Branco e Preto

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Olha, Maria

O copo d'água, a madrugada, o removedor de maquiagem, os vários discos de Cateano, o acalanto da solitude, as lembranças voláteis. O dia amanhecendo. A incerteza.

"Olha, Maria
Eu bem te queria
Fazer uma presa
Da minha poesia
Mas hoje, Maria
Pra minha surpresa
Pra minha tristeza
Precisas partir

Parte, Maria
Que estás tão bonita
Que estás tão aflita
Pra me abandonar
Sinto, Maria
Que estás de visita
Teu corpo se agita
Querendo dançar

Parte, Maria
Que estás toda nua
Que a lua te chama
Que estás tão mulher
Arde, Maria
Na chama da lua
Maria cigana
Maria maré

Parte cantando
Maria fugindo
Contra a ventania
Brincando, dormindo
Num colo de serra
Num campo vazio
Num leito de rio
Nos braços do mar

Vai, alegria
Que a vida, Maria
Não passa de um dia
Não vou te prender
Corre, Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder

Anda, Maria
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer."

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

What's the point of speech when all i do with it is just repeating myself?

Se tem uma coisa por vezes frustrante é ver como as pessoas costumam dar conselhos. Seguras de si por completo, absolutamente corretas e donas da razão, e quase sempre sobre assuntos cuja vivência desconhecem. A pessoa não tem a menor ideia de como é estar naquela situação, mas de uma hora pra outra, todos viram experts e dão logo um parecer técnico, quase um diagnóstico médico detalhado determinando o que você deve fazer, como agir. E o melhor de tudo é que essas mesmas pessoas NUNCA agem da maneira que aconselham, quer dizer... paradoxos, paradoxos. É sempre essa coisa, faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Acho que sou meio torta mesmo em algumas várias coisas, e percebi que, quando acontece de receber conselhos quase unânimes a respeito de um assunto (sim, porque sou insegura o suficiente pra buscar várias opiniões), acabo fazendo exatamente o contrário. E isso vai de coisas banais, como o jeito de usar uma roupa, a decisões que podem alterar por completo o andamento da minha vida. Como todos, também aconselho sabiamente sobre assuntos mesmo sabendo não ser o comportamento adotado por mim quando vivenciá-los. Tsc, sempre distorcidos, nós, que acreditamos saber de tudo e ter a solução milagrosa pra os entraves alheios. O perigo está bem aí, em imaginarmos ter poder absoluto sobre o que diz respeito a outrem, e esquecermos de nós mesmos. Achar melhor transferir a facilidade de resolver problemas para os não concernentes a nós mesmos. Colocar na cabeça que a grama do vizinho é mais verde, ou, no caso, mais fácil. Pura ilusão.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.

Até que ponto sua vida pode ser tão marcada e delimitada pela presença de outra pessoa? Agora, e sempre mais, me dou conta de que a máxima "é impossível ser feliz sozinho" é verdadeira, e não é por ser pateticamente dependente e carente não. É por estar construindo na cabeça a consciência de que posso, sim, delegar a outra pessoa a capacidade de tornar-me feliz. Aprendi nos últimos meses que a minha completude se forma depois de me livrar de toda e qualquer lembrança hoje vazia, do ceticismo, do veneno dos outros. E, deixando esse espaço livre de coisas negativas, surgem os pequenos gestos, o frio na barriga, as expectativas criadas (ainda que depois destruídas), a antecipação, o desespero seguido do conforto, a vontade incontrolável de estar perto, de sentir que as coisas têm um sentido... e não basta sentir, é preciso perceber uma via de mão-dupla, uma relação de companheirismo, de mútuas doações, onde o egoísmo é totalmente deixado de lado. Sei que é um risco muito grande a tomar, e já bem citei por aqui a ausência de uma armadura capaz de me segurar nessas horas. Mas escolho o oposto. Escolho me jogar de olhos fechados e esquecer qualquer rastro de razão que traga relutância. Porque é assim que as coisas dão certo, quando elas conseguem arrebatar, mudar as concepções, transformar o detestável em lindo e maravilhoso. A completude que me atinge é a de sentir que posso ficar bem sozinha, mas ainda melhor com sua presença. Tava lendo um site que fala sobre o amor e achei lindo: "Gosto do carinho e da forma atenciosa como nos encaramos. E dos silêncios que no início incomodavam e, hoje, descortinam".
São esses olhares e silêncios que me fazem entender melhor o que é o amor. Ainda que inexplicável, inevitável e inadmissível, tudo ao mesmo tempo, acho que conseguirei um dia, de fato, conhecê-lo.

sábado, 4 de julho de 2009

Cobrar felicidade de quem dá chão às estrelas

Às vezes, faz-se necessário mudar. Sair do que costuma ser o seu "eu", fazer misturas agridoces mesmo. E foi o que eu fiz. Resolvi misturar, não mais ter que me preocupar com aqueles que antes eram problemas quase insolúveis. E não é que às vezes dá certo? Sair do mesmo pode ser muito bom, mesmo que dependa de outras pessoas que nem imaginam o quanto o momento se faz importante. Momento. Um feixe de segundos capaz de mudar tudo. Destruir uma infinidade de opiniões e construir uma visão completamente nova na sua cabeça. Pra melhor. Quase um darwinismo psicológico onde quem evolui é você mesmo pra ser mais forte que você mesmo. E sobreviver a você mesmo. Ficar mais forte...por que são os mais fortes que se sobrepõem aos fracos, né? Pois então. Me sobreponho ao que antes acreditava ser, pra existir mais forte agora. E perdurar assim. :D

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sobre tecnologia, política e vergonha na cara

Não sou muito de entrar em fervorosas discussões políticas, acho que até por um grande desencanto na credibilidade dessa vergonhosa política que é vista nos dias de hoje, mas não posso deixar de comentar toda essa coisa dos "manifestos"dos piratas no twitter, o #ForaSarney e o que pode ser o início de uma manifestação efetiva contra o status quo. Ok, é inquestionável a maravilha que está em usar os recursos tecnológicos da modernidade para propagar opiniões e argumentações políticas, e nesse sentido, li até uma frase lá no twitter que dizia "@twpirata bom trabalho, valeu a pena ver tanta gente usando as ferramentas tecnológicas para renovação política". Realmente, tá em trending topics, muita gente mostrando indignação e querendo fazer alguma coisa quanto ao calamitoso estágio da corrupção no País. Mas gente, sério, será que é isso que vai trazer a tão falada e desejada renovação política mesmo? Não consigo parar de pensar nas críticas feitas a esse movimento, que alertaram para a vontade dos tais piratas de conquistar fama e visibilidade. É uma possibilidade, né? Mesmo que não tire o brilho da causa. Mas aí a galera fala que isso é "mobilização social online". Sim, mobilização é, mas social? Pelamordedeus. Quantos brasileiros são instruídos para ter um acesso de qualidade à internet? Quanto mais ao twitter, po! Eu, que toda vida fiz uso da ferramenta virtual e só convivo com pessoas na mesma situação, todo dia tenho que explicar pra alguém do meu convívio what the fuck is twitter, quanto mais os milhares de brasileiros sofridíssimos que, por causa da robalheira de alguns poucos, permanecem esquecidos e continuam a votar nos piores por serem vítimas desse resquício de clientelismo! Outra coisa: é só o #ForaSarney digno de destaque? As pessoas precisam ter consciência de que o problema é GENERALIZADO e que as ações para revertê-lo devem ser feitas pra atingir o todo. Mas essa nossa inerente mania de sempre querer colocar a culpa em cima de alguém, esse nosso terrível mal do bode expiatório acaba impedindo-nos de enxergar, por exemplo, que o próprio senhor excelentíssimo que está comandando as investigações dos atos secretos também é envolvido em alguns desses documentos polêmicos. Mas esses em que o senhor excelentíssimo aparece foram divulgados? Ehm, não. Joga pedra na Geni que ela é boa de cuspir mas esqueça que todos são mesmo escrotos, farinha do mesmo saco. Não vou entrar em discussões ideológicas, só queria expor uma série de coisas que passam na minha cabeça, e que deveriam passar na cabeça de todo mundo antes de sair por aí gritando convicções às vezes não bem fundamentadas... Então, #ForaSarney! E fora essa esbórnia maldita que se convencionou chamar de câmara dos deputados, ou senado, ou plenário, ou prefeituras...e por aí vai.

adendo: pra complementar, leiam essa incrível entrevista com Marcelo Tas, e reflitam. :)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pena que a rima ficou só comigo.

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

-Paulo Leminski

terça-feira, 23 de junho de 2009

But i still wish you'd fought me 'til your dying day

Se tem uma coisa capaz de dilacerar tudo aquilo que tardamos em construir, essa coisa é a indiferença. Sério. Você pode sentir ódio, rancor, vontade de matar, pode escutar as piores palavras de ira de alguém, mas nada é capaz de fazer um buraco no peito maior do que quando existe indiferença. Buscar conforto, respostas, ou até mais questionamentos, qualquer coisa, e encontrar apenas indiferença. Tanto que eu busquei seus olhares, e vocês desviando o rosto como se eu não fosse digna de encará-los. Sei que fui eu que resolvi dar um basta a toda e qualquer chance de maiores desentendimentos, mas ainda assim, esperava mais de vocês. Por mais que eu os desprezasse algumas vezes, ainda assim esperava mais de vocês. Por mais escrota que eu fosse, esperava mais de vocês. Começo a achar que eu nunca vou ficar satisfeita com nada, mas, ainda assim, entendo que parte disso não é minha culpa. A culpa é de vocês. Vocês que parecem se divertir com minhas fragilidades, brincar de ver quem vai mais longe nessa palhaçada que é me fazer de tonta. E eu caio, né? É o que mais me atrai. Antes não, mas hoje vejo muitas semelhanças entre vocês. Sempre tão sensíveis, embora sempre cortantes. E eu lá, no meio, condescendente e pronta pra sofrer os cortes. Mas não mais. Sério, não mais. A única indiferença que pode existir agora é a minha. Então é isso que vai acontecer, eu vou agir como se vocês não fossem dignos de cruzar olhares comigo, mesmo querendo mais que tudo fraquejar e dizer que o olhar faz falta...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

it's a beautiful day - don't let it get away!

eu havia notado um certo clima negativo demais em meus textos, diálogos e relações de uma maneira geral, e não sei ao certo se tava conseguindo conduzir tudo isso. tudo bem que esse lado copo-metade-vazio sempre foi muito aparente em mim, a phd na arte de reclamar, mas como tô numas de mudar o universo (ao meu redor), dessa vez resolvi fazer diferente: escrever um texto dedicado a todas as pequenas coisas que tornam a minha/nossa existência uma coisa bonita e worth all the while. às pequenas coisas e a torná-las importantes, sim. ninguém parece reparar muito nisso ou realmente se importar, né? tantas coisas que percebemos inúteis conseguem crescer bem dentro da gente e influenciar bastante quem somos, sem sequer nos darmos conta! então, hoje não vou reclamar da minha falta de concentração, ânimo e foco, ou da constante indecisão que me ronda. não vou ficar discutindo sobre como as coisas sempre acontecem quando não estou preparada, nem encher os outros com meus nunca resolvidos dramas de vida. hoje eu falo de risadas gostosas, beijinhos na testa, cochilos no meio da tarde, apelidos carinhosos, amizades verdadeiras, filmes que emudecem as palavras, seriados que prendem os olhos, músicas de fazer chorar, músicas de fazer sorrir, notícias inesperadas, saudades de quem tá perto, desejo de atravessar o mundo pra ficar junto de quem tá longe, vontade de gritar sem motivo, dançar sozinha na frente do espelho, incomodar os vizinhos cantando no chuveiro, conviver com quem se quer bem, nostalgia de fotos antigas, interesse na história de vida de alguém, conhecer uma pessoa a ponto de dizer "isso é tão.. você!", misturar doce e salgado, liberdade de ser quem se realmente é, abraços apertados, espontâneas demonstrações de carinho, depender emocionalmente de certas pessoas - por que não? é impossível ser feliz sozinho, isn't it? - madrugadas em claro, pôres-do-sol...ah, é tanta coisa que pode entrar nessa lista. me encontro a favor de pequenos feitos alardeados; é bom sentir. como se uma simples ligação de alguém fosse capaz de revolucionar o mundo inteiro, sabe? pode não ser um momento duradouro nessa atribulada e 'insustentável leveza de ser', no entanto a beleza mora justamente aí, em ter que aproveitar essa fase antes que ela seja tirada de mim sem aviso prévio...melhor não se acostumarem com esse momento fofura, sabe lá quanto vai durar!

sábado, 6 de junho de 2009

Um rio carregado de saudade vem correr na minha veia

E então hoje eu chorei. Aquele choro inusitado e profundo. Uma linda demonstração de carinho de uma amiga querida pode despertar sorrisos, sim, mas também uma avassaladora saudade que traz consigo lembranças de todas as pessoas que infelizmente o destino tratou de afastar de mim.. Não penso que seja mera obra de forças superiores, reconheço que sou fraca demais pra manter certos laços. E por isso, choro. Abro por completo os braços pro futuro, mas às vezes esfacelo ao voltar pro passado. Aos que foram tirados de mim sem chance para maiores despedidas, devo eterna gratidão; com a morte não se discute. Aos que andam próximos fisicamente porém distantes em espírito, a dor parece cortar fundo: será que pensam em mim da mesma forma como eu, assim, tão cheia de sentimento, os enxergo? Tem também aqueles que fizeram a consciente escolha em romper com tudo que represento. A esses nada mais dedico além de mágoa... Mas não posso me ressentir, afinal, fazer proposital escolha em 'cortar de mal' só mostra que deve mesmo haver algo de errado comigo. Ou vai ver não, né? Mas não me dou mais ao luxo de pensar sobre isso. É engraçado como você reclama sem parar de tanta coisa que considera errada/irritante/ruim, e torce pra sair logo daquele ciclo de monotonia; uma vez fora, são as coisas erradas, irritantes e ruins que mais fazem falta.
Não falo aqui com o saudosismo de quem quer uma máquina do tempo pra ficar parado naquele ido lugar, não mesmo, até porque o engrandecimento - e eu o busco - vem com a jornada temporal mesmo. Falo com a nostalgia saudável de quem 'olha pra trás e admira a vida que soube fazer'. Então, o que me resta se não as infindas lembranças de todas as pessoas que infelizmente o destino tratou de afastar de mim? Carinho? A esperança de que um dia voltem a ser mais do que memória? Aceitação de que é lá no córtex cerebral que elas vão ficar mesmo? Não podia deixar de mencionar também as pessoas que se fazem cada vez mais presentes na minha vida, pela inevitável convivência cotidiana ou pela vontade de não largar de mim, mesmo. Eu tenho guardadas as coisas mais lindas do mundo pra essas pessoas!

por fim, saudosismo lembra os mestres Tom e Vinícius é com eles que encerro:
Sem você
Sem amor
É tudo sofrimento
Pois você
É o amor
Que eu sempre procurei em vão
Você é o que resiste
Ao desespero
E à solidão
Nada existe
E o tempo é triste
Sem você
Meu amor
Meu amor
Nunca te ausentes de mim
Para que eu viva em paz
Para que eu não sofra mais
Tanta mágoa assim
No mundo sem você

terça-feira, 2 de junho de 2009

Pensando alto - aos berros.

Não entendo como as pessoas vivem quase a vida inteira a reclamar de ressentimentos e, paradoxamente, recheam suas bocas com o máximo de arrogância que podem alcançar pra afirmar "eu? ahh, mas eu não me arrependo de nada!". Penso que isso é uma forma até inconsciente de esconder os seus verdadeiros sentimentos e frustrações, mais um daqueles mecanismos de defesa, o típico escudo de proteção sobre o qual eu tanto sinto gosto teimo em falar. A verdade é que, mesmo quando não pensamos nisso, nossos comportamentos são pautados em ações passadas, as famosas coisas que achamos que não deveríam ter acontecido ou que poderíamos ter feito diferente... Não é cabível que uma pessoa em sã consciência jamais tenha parado pra pensar em como estaria sua vida nesse exato momento se tivesse substituído uma simples palavra na hora de dar uma resposta a alguém (não fazemos ideia do poder metamórfico que mora em um 'não') mesmo há anos atrás, por exemplo. É algo em que simplesmente preferimos não pensar pra evitar que as convicções aparentemente sólidas desabem em nossa frente (ando obsecada por metáforas que envolvem queda, vai entender) e fiquemos vivendo no imaginário, hipotético e idealizado mundo do "se". E é aí que eu abandono a impessoalidade da escrita e falo sobre mim mesma... E se as coisas fossem diferentes agora? Rotina, sentimentos, vontades, interesses, tudo bem diferente? O maior problema dessa reflexão é o ciclo que ela desencadeia, um constante "overthink" sobre tudo e todos, como se revisasse os fatos imediatamente depois de acontecerem. Parece que os sentidos se aguçam e agora sou capaz de repetir cada momento mentalmente como um filme, e criar novos momentos - só não consigo decidir qual "SE" parece mais apropriado.. Céus! Provavelmente esse filme nunca terá fim...

sábado, 16 de maio de 2009

"E essa tragédia que é viver, e essa tragédia; tanto amor que fere e cansa"

Essa coisa de 'sorte do orkut/today's fortune' é de fato a criação mais patética e bizarra no meio de tantas criações patéticas e bizarras que existem naquele site; às vezes me apareciam com frases até revoltantes do tipo "voce ganhará roupas novas" ou "você e sua mulher terão uma velhice confortável" - tornando quem se baseia cegamente naquilo uma pessoa em princípio vazia -, e isso plus minha usual indiferença fizeram com que eu deixasse de ler essa parte. Agoura, por mais que essas coisas meio esoterismo-torto-de-Valter-Mercado sejam no mínimo duvidáveis, não pude deixar de notar a frase que li hoje: Today's fortune: The world is a tragedy to those who feel, but a comedy to those who think. Eu tenho certeza que a elaboração E divulgação dessa frase foram feitas do modo mais superficial possível, mas como acredito na sensibilidade de reflexões que surgem a partir de pequenos acontecimentos, me peguei pensando no significado dessa afirmação..
O que tá escrito nessa frase é mais do que o site mais visitado do universo e abarrotado de seguidores/dinheiro/bobagens mostra. É tão simplório resumir a vida a um evento teatral , sendo ele cômico pra quem age racionalmente porém trágico pra quem é passional e se deixa levar pelos sentimentos, não? Mas no final das contas, essa sucinta classificação do que é o mundo não está de todo equivocada... Afinal, o que é o amor se não uma sucessão de tragédias que te fazem entrar no ciclo vicioso de agir passionalmente e sem controle? E o que é o pensamento racional e por vezes cético se não a maneira mais divertida de experimentar os acontecimentos e ainda evitar desilusões? Por experiência(s) própria(s) recente(s), sei bem da dificuldade em construir uma barreira indestrutível entre razão e emoção (não citei nx zero não ok? HAHAHA), embora acredite na necessidade de haver o elemento 'tragédia' em tudo, mesmo em pitadas modestas. Então, pensando por esse lado e despida de pessimismos, acredito que the world is actually a tragedy for everybody.
Ok, vai ver o mundo é uma tragicomédia, ou melhor, um misto de diversos gêneros teatrais, sem divisão entre os atos, onde não se sabe quando termina a aventura e começa o suspense, quando o romance dá lugar ao terror, com espaço até pro erótico. Mas, definitivamente, a tragédia é predominante, e predomina por ser imprescindível. Essa semana tive uma aula sobre Hegel e aprendi nas palavras de um filósofo complexo e cheio de preciosismos o que secretamente já entendia: é preciso que você viva a crise, sinta, saboreie, delicie-se nesse momento trágico, pra depois reerguer-se, atingir a evanescência. E assim, a gente vai vivendo essa peça meio torta com tudo que temos direito, sabendo do quanto a tragédia é importante e da beleza nela existente...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Keeping the expectations way too low

Dando continuidade à série de textos auto-referentes (ando egoísta por essas épocas, hum), devo dizer: o problema de assumir uma postura descrente diante do resto do mundo está justamente em achar que com isso estamos nos protegendo de eventuais decepções e que, ao assumir de antemão que nada vai dar certo, será mais prazeroso se o contrário acontecer. Talvez seja esse o maior perigo do ceticismo. Talvez seja esse o maior perigo que a mim diz respeito: o perigo de formar um escudo contra as possíveis decepções que, ao romper (porque a gente sabe que VAI romper, não adianta acreditar nem na eficiência dessa 'proteção'), faça o machucado doer ainda mais. Não entendo muito bem os motivos que levaram esse traço a se mostrar mais marcante, tampouco se isso é bom ou ruim; sei que esse lado incrédulo parece por vezes tomar conta do resto e quando menos espero tô enxergando lados errados em tudo... Veja bem, não é que eu esteja querendo morrer de tanta tristeza, o fato é: o que se vê é o copo sempre metade vazio. Aliás, essa metáfora do copo-metade-cheio-metade-vazio nunca serviu muito pra mim. Ela é totalmente falha, e no final das contas, é como Chico Buarque falou em uma das músicas mais incríveis de todos os tempos: é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar/é sempre bom lembrar que o ar sombrio de um rosto está cheio de um ar vazio/vazio daquilo que no ar do copo ocupa um lugar./É sempre bom lembrar, guardar de cor/que o ar vazio de um rosto sombrio está cheio de dor...

8Crystal - Mando Diao

sábado, 9 de maio de 2009

Relatos eufóricos sobre uma noite de muitas emoções

Acabei de chegar do show de Del Rey e, mesmo sabendo que daqui a três horas espera-se que eu esteja cumprindo afazeres, eu tinha que vir aqui narrar - mesmo que pra quase ninguém - o que talvez tenha sido o momento mais VERGONHOSO da minha vida. Então vamos né, lá estava eu morrendo de sono, cansada e com dores, e nada de o show começar.. Eis que finalmente eles entram no palco.. eu tava na pilha pra ver Mombojó e Chinaman de novo; eles fazem sempre a alegria dessa criança aqui. Primeiro, realizo um dos desejos altamente clichê que secretamente guardava: o de ganhar uma flor de alguém - China jogou algumas rosas vermelhas e uma delas caiu em minhas mãos. massa. Aí, surge o momento crucial da noite, quando aquele doido varrido da dancinha bem característica diz que vai fazer um concurso de samba e pergunta quem quer se candidatar a subir no palco..e estranhamente eu levanto os braços! Fui tomada pelos gritos, a instigada sensação de vê-los tão de perto, sabe como é, né? "As luzes e as palmas já são o bastante pra quem quer se enganar".. Então, China pega minha mão e me puxa pro palco. Oh my. Eu, que sempre fui tão comedida e hesitante, sempre pensando na opinião alheia e em não me expor demais, deixei pra trás toda essa coisa estranha que sempre me aprisionou e me entreguei, simplesmente. Mas foi bom sabe, pra eu repensar toda essa coisa de problematizar demais as situações e acabar perdendo muito por não expressar os sentimentos. E, no mais, serviu pra mostar que, como dançarina, eu sou uma ótima escritora, hehe. Não, agora sério. PELAMOR, né, ó minha cara de quem ia entrar nessa por conta da dança.. eu só queria mesmo chegar lá, falar pra Felipe S. o quanto o acho f*da - com o perdão da palavra, apenas transcrevo aqui o momento - e dar umas boas risadas com a irreverência de China. Mais uma vez, o doido varrido me empurra pra o precipício da vergonha e me faz dizer nome e bairro, ou seja, estou para sempre queimada na tão ilustre sociedade recifense. Mnher, quem se importa? Fui vaiada até, não ganhei o concorrido concurso (ultimo lugar, LOSER!) e mais escondi o rosto com os cabelos do que me exibi; como eu disse, o exibicionismo barato não era a minha intenção. Falei o que queria pra Felipe, e ainda ganhei o brilhante comentário "Ahh.. mas você é moça de família" vindo de China. Ah, e ele disse que eu arraso também. Acho que se for colocar numa balança, até que valeu a pena.. Tudo bem que agora eu tô me sentindo a criatura mais patética do mundo, mas já foi, já foi, já foi e foi muito engraçado, mas acima de tudo, um momento epifânico. Logo mais verei as consequências disso. Mais um motivo pra dar brecha a reflexões e tirar meu sono..

P.S.:rezando pra que não tenha ido nenhum conhecido meu nesse show...
P.S2:se bem que filmaram, então, amanhã tô no iutube, Brasil! perfeito pra quem quer bancar o avestruz e enfiar a cabeça num buraco.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Agora eu sei o que quero enxergar.

É como se eu tivesse em mim encrustados todos os sentimentos e pensamentos possíveis, mas tivesse que reduzi-los umas trinta milhões de vezes pra poder dar continuidade à construção do que eu deveria ser. E mesmo sentindo o tremendo peso da dúvida, eu continuo reprimindo essa explosão sensorial pra evitar a queda de uma altura que talvez não suportasse. Por mais que isso soe incrivelmente auto-destrutivo, não é, tem mesmo muito de poesia. Saborosa sensação. Não adianta negar, as mudanças que acontecem quando menos as queremos são as mais impactantes e difíceis de serem esquecidas ou revertidas. As luzes e as palmas já são o bastante pra quem quer se enganar, e assim não há motivos pra se orgulhar... Aí, me sinto dividida entre uma passional vontade de experiência e a usual/acomodada posição relutante. Sei que eu sou agoniado, a minha dor é de esperar. Na verdade, toda vez é isso, basta parar pra pensar: a vida inteira é esse conflito direto de tudo que poderia ser, tudo que eu poderia ser mas, por força de todos os elementos que sou incapaz de controlar, não sou. Você pode repetir as letras e até mudá-las de lugar; mas todo esse questionamento é latente, e aqui permanece. Até quando?



p.s.: tenho percebido uma inexplicável semelhança entre o que sinto e os versos sabiamente escritos por felipe s. - vide mombojó. talvez seja momento para experimentar uma overdose desses versos tão reconfortantes. afinal, alegre ou triste, o que é que vai mudar em mim?
8Minar - Mombojó.
"finjo não te entender; para não sentir vontade de chorar, te aperto em minha dor.."

terça-feira, 17 de março de 2009

It's gonna be a glorious day.


Pois é, o dia por que tanto esperei se aproxima numa velocidade surpreendentemente rápida e me deixa cada vez mais atônita. Não sei mais como me portar, o que falar quando o assunto é Radiohead... Talvez soe como tietagem, situacionismo ou algo do tipo, visto que agora eles estão super na mídia e até no Fantástico apareceram - mencionados como 'estranhos' e logo depois como a melhor banda da atualidade. vai entender.. -, mas eu sei bem - e acredito que as pessoas que me conhecem o bastante sabem também - o quanto esses cinco britânicos esquisitões tão profundos e diferentes entre si foram capazes de transformar minha vida. Radiohead não é só uma banda bonitinha de baladinhas e de música que toca no filme pré-adolescente do momento e quem vier dizer que é fã por ter escutado Creep e Fake Plastic Trees saia da minha frente por favor. Eles são DEEP, e de uma profundidade que assusta, mas ao mesmo tempo arrebata. Acompanhar toda a evolução da banda, dos ruídos às batidas eletrônicas, todas as incríveis nuances que os trouxeram até aqui - literalmente! - é mais do que um privilégio pra uma pobre mortal como yo. Não acho que exista algum artista tão enigmático quanto Thom Yorke, que me encanta cada vez mais mesmo com suas bizarrices. Talvez seja isso que particularize tanto a banda: a quebra de qualquer estereótipo, as esquisitices que os elevam artisticamente. Você percebe que aquilo ali é real, sabe? Não é qualquer estratégia barata de marketing pra vender trilhões de cds e chegar ao topo do mundo: eles têm autenticidade, sentimento, aliás, muito sentimento! Nas músicas, tudo é externado à flor da pele, pulsante, por vezes agoniante. Os sentimentos de Thomas Edward Yorke alojam-se na sua cabeça e, por alguns minutos, você é capaz de entender com uma clareza assustadora o emaranhado de informações que emana daquele que, na minha opinião, é um dos raríssimos gênios musicais da atualidade. Dia desses encontrei no computador uma foto minha tirada em 2004, no auge de meus treze/catorze anos, na qual eu segurava o The Bends. Aquele ano não havia sido nada fácil pra mim e Thom, Phil, Colin, Jonny e Ed já deixavam seus fortes rastros em minha vida. Não consigo sequer lembrar de quando foi que começou todo esse fascínio meu por eles; é uma coisa tão particular, tão de identidade minha, tão arraigada em mim que parece até que nasci ao som de Stop Whispering - ou alguma outra música do Pablo Honey - hahaha. Posso até parecer piegas com essa quase devoção, mãããns diante de posturas tão críticas (a.k.a. reclamonas) que tenho procurado assumir em relação a outras coisas, é bom ter no Radiohead a representação do que há de melhor, e de fato eles SÃO o que há de melhor!
8climbing up the walls - radiohead (L)
it's gonna be a glorious day...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

to hell with it! (ou não)

As pessoas vivem suas vidas (quase sempre) baseando-se nos outros, buscando a opinião alheia, supervalorizando as relações. Até o mais solitário dos homens precisa de interação com o mundo a seu redor; é como se para aceitar a si mesmo, o indivíduo precisasse que outros também o fizessem. Comigo não é diferente. Por vezes, aparento ser uma pessoa "fechada, hermética, protegida" - como uma amiga já me descreveu - embora seja comunicativa (leia-se falo demais) e isso mascare o que acontece no interior. Tenho tentado aumentar em mim a postura do "to hell with it, nem ligo", mas confesso: é quando tento ao máximo mostrar indiferença com o resto do mundo que mais me mordo por dentro pra saber o que o tal mundo acha da minha situação. Isso acontece demais em casos que envolvem os que estão mais próximos, ou seja, meus amigos/família/namorado. A maioria de nós, e por 'nós' me refiro às pessoas que me cercam, nunca irá admitir, mas é impossível não espelharmos nossos atos e comportamentos em função do que um ou outro pensa. Obviamente, vou continuar afirmando por aí que não me importo com nada do que dizem ou pensam, que nada vai mudar meu jeito de ser e todas essas frases clichês que - todos sabem - não são verdadeiras mas sempre ditas e levadas a sério mesmo assim; frases que dão a falsa ideia de estarmos seguros de nós mesmos, despreocupados e bem-resolvidos. Como não quero parecer pedante ao questionar essas bobagens que a gente diz pra sobreviver num mundo de loucos, vou continuar afirmando que não me importo, sim, e fingindo que acredito quando me vierem dizer tamanho impropério... Embora agora mesmo esteja pensando no que os outros vão achar desse texto, no que vão falar, se vai ser interpretado corretamente ou não. Mas ei, ninguém precisa saber disso, certo? Então to hell with it, nem ligo!

8revelry - kings of leon

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ciberdelia strikes again

É engraçado, depois de tanto tempo, estar de volta ao 'universo virtual' com um blog. um dia desses eu tava cascavilhando arquivos antigos no computador e achei muitas coisas interessantes: alguns textos, templates que eu fazia, códigos html. não acredito que aos 14 anos eu sabia como montar um site por completo (isso e algumas coisas que escrevi mostram que não fui de todo uma pré-adolescente babaca) e hoje em dia levo couro até pra mexer no windows explorer. lamentável. mas o fato é que por várias vezes pensei em criar uma página de novo, voltar a escrever, tentar levar a coisa até mais a sério, e acabei postergando esse momento por algum motivo. aí, num dia de couch-potatoe que eu tive, acabou surgindo o termo 'drugstore philosophy', nome até então bonitinho que me serviu de incentivo a criar o blog. e cá estou. (: espero que essa não seja como muitas outras de minhas idéias e resoluções que deixo pela metade ou abandono por puro comodismo. aliás, já que a proposta desse blog é bem desabafo-no-divã mesmo, pretendo expor esse comodismo - e outras falhitas más - que me acomete. por ora, esse é só um post de boas-vindas a mim mesma. yey.

8sobremesa - chico science e nação zumbi