domingo, 27 de junho de 2010

Tanta gente no meu rumo, mas eu sempre vou só. Tanta gente no meu rumo, já não sei viver só...

Tenho alguns posts esperando para serem desenvolvidos nos rascunhos, mas não vem ao caso agora. Eles vão ter que esperar, porque OLHA, esse feriado trouxe tanta coisa, tantas surpresas, reviravoltas e epifanias que, depois de muita angústiachorodesabaforeflexão, resolvi contrapor aqui duas músicas (de novo, elas, as canções e a sabedoria de seus versos...) e falar dos diferentes sentimentos que cada uma desperta. Vamo lá:

Radiohead - The Bends
Não é de se estranhar que uma música de Radiohead diga muito sobre mim, mas esses versos meio ácidos fizeram muito sentido esses dias, dias de destruição de referências e da triste descoberta de que o egoísmo e a falta de sensibilidade aparecem justamente quando você menos espera: Where do we go from here? The words are coming out all weird. Where are you now when I need you? I need to wash myself again to hide all the dirt and pain 'cause I'd be scared that there's nothing underneath... And who are my real friends? Have they all got the bends? Am I really sinking this low? We don't have any real friends - No no no. É mais ou menos isso, sabe, Thom Yorke definiu muito bem o que eu preciso fazer: me lavar de tanta feladaputice e falta de consideração que existe por aí, pra ver se as coisas melhoram. Agora, mudando completamente de tom, música número dois:

Milton Nascimento - Que bom amigo
Esse áudio tá uma porcaria, mas a música vale muito a pena. Primeiro porque é Milton Nascimento, e Bituca dispensa maiores justificativas. Taí uma pessoa que tem o dom pra tornar não só as músicas, mas as coisas em geral mais bonitas. Depois de passar a madrugada ouvindo algumas dele que acenderam em mim a vibe melancólica da música radioheadiana acima, sobre estar só e sobre as dificuldades da vida, me deparo com essa boa surpresa... Porque é muito bom, depois do transtorno emocional de descobrir que certas pessoas não são lá aquilo que você imaginava, e que a vida te esmurra e tá cheia de gente prestes a te decepcionar a cada lado que você olha, constatar que vai ter alguém - mesmo que seja um único alguém, nesse momento - que te tira dessa e mostra que há esperança na humanidade. Alguém pra quem você consegue se mostrar mesmo quando a vontade é de que ninguém te veja naquele estado. Alguém pra escutar seu choro, mesmo sem dizer nada, e depois te fazer rir ainda derramando lágrimas dos olhos. Já disse antes aqui que confiança não se cobra, mas esse alguém supera essas barreiras e permite que você vença qualquer orgulho e diga "preciso de você, fica do meu lado, não me larga, por favor." Que bom, amigo, poder saber outra vez que estás comigo, dizer com certeza outra vez a palavra amigo. Se bem que isso nunca deixou de ser... Que bom, amigo, poder dizer o teu nome a toda hora, a toda gente, sentir que tu sabes que estou pro que der contigo. Se bem que isso nunca deixou de ser.. Que bom, amigo, saber que na minha porta, a qualquer hora, uma daquelas pessoas que a gente espera, que chega trazendo a vida, será você. Sem preocupação.

sábado, 19 de junho de 2010

Parafraseando

Já deve ter ficado um saco pra quem me lê (se é que existe alguém capaz de realmente me ler) esse uso desenfreado de citações e frases e versos e pensamentos que não seriam exatamente meus, mas que, na realidade, são sim muito meus, apenas não de minha autoria. O fato é que achei um arquivo do bloco de notas com uma série de textos que garimpei tempo desses em blogs e músicas perdidas; algumas, guardei porque vivia uma fase relativamente boa, embora tivesse consciência de seu prazo de validade, e no momento não se encaixavam. Outras, simplesmente salvei pela covardia de mostrar a quem queria - melhor assim.
De maneira geral, são frases que eu sabia terem alguma utilidade pra mim algum dia, mesmo como placebo. E é chato, eu sei, referir-me sempre ao mesmo assunto, aquela mesma ladainha imbecil de quem não vira o disco - mesmo sendo este um belo d'um pirata arranhado -, mas sinto ter chegado a hora de colocar pra fora, dar alguma utilidade a essas coisas guardadas - no HD do computador e na minha cabeça. As fontes são tantas e tão diferentes entre si, e mesmo assim dá pra fazer um texto corrido surpreendentemente coeso. Então, lá vai:

"Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada... Às vezes quero crer mas não consigo, é tudo uma total insensatez, aí pergunto a Deus: escute, amigo, se foi pra desfazer, por que é que fez? Não há pra quê chorar por um amor que já morreu. Deixa pra lá, eu vou, adeus; meu coração já se cansou de falsidade... E quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho. E fatalmente se fode, porque está tentando adequar/ajustar um arquétipo, uma imagem de toda a nossa infinita carência, nossa assustadora sede, a uma realidadezinha infinitamente inferior. E, de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Eu gosto de gostos, eu gosto de pele, de cheiro, de amor verdadeiro."

perdão a quem citei sem dar os devidos créditos; pelo menos coloquei aspas..
ouvindo: Santa Chuva - Marcelo Camelo - totalmente compatível com Recife por esses dias...

sábado, 12 de junho de 2010

Pra que ficar assim desesperada se ele falou que não lhe quer?

Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro

Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco?
Seu rosto é mais bonito rindo

-Otto

Love is just a game

Relutei muito antes de decidir escrever um texto sobre o tão falado dia dos namorados: não queria fazer parte nem do grupo dos que tão na vibe de achar tudo lindo e celebrar, tampouco dos mal-amados que dizem se tratar de uma estratégia publicitária só porque não vão ganhar chocolate e presente. Então, presa no meio termo, resolvi apenas falar sobre experiências que me fizeram perceber que, no final das contas, não importa muito o apego a uma data, e sim o que se passa aqui dentro.
Já me forcei a achar lindo um jantar de dia dos namorados enquanto sofria por dentro, tentando comemorar um amor já definhado. De outra vez, me senti péssima e com a auto-estima lá embaixo por não ter alguém pra ligar logo de manhã dizendo "bom dia, amor, feliz dia nosso". Hoje, penso que nada disso, nenhum desses sentimentos antagônicos tem valor em si mesmos. Não é questão de assumir solteirisse ou algo do tipo, acho que passa muito por estar bem com você mesmo, independente de ser doze de junho, catorze de agosto ou vinte e nove de novembro. E, pra isso, fazendo uma referência meio Sex and the City, falo aqui das minhas amigas, porque seremos each other's soulmates nesse dia e em todos os outros que precisarmos. Parei, hoje, pra desviar um pouco o olhar e prestar atenção em tantas outras coisas e pessoas que me fazem feliz e me completam sem a menor necessidade de angústia pra reservar mesa em restaurante ou dar presente em formato de coração. É lindo ser uma "mal-amada" que se sente, sim, muito amada por quem realmente importa.
Como bizarra que sou, tenho umas playlists no iTunes para cada variação de humor (me conhecendo, não tem playlist musical suficiente pra tantos moody swings), de modo que criei a "luvluvluv" pros dias mais românticos e, dia desses, a "I Hate Valentine's Day". Isso tudo pra dizer que, na última, tem uma música com versos bem elucidativos: "Love is just a game, broken all the same and I will get over you. Love is just a lie, happens all the time, swear I know this much is true", disse o The Magic Numbers se encaixando nessa fase cética do meu coração. E é isso mesmo, a gente vive em função do amor, da busca, da construção do carinho, mesmo sabendo estar tudo isso fadado ao fim, ao achar e perder, machucar-se e conviver depois com as cicatrizes (e por que não rir delas?), over and over again. Carregar em si o peso de tantas experiências vividas, tantos motivos pra sorrir e chorar e, principalmente, amadurecer.
Aí vem Jeff Buckley, pra quem pago pau a qualquer época, e diz que "Sometimes a man gets carried away when he feels like he should be having his fun and much too blind to see the damage he's done; Sometimes a man must awake to find that, really, he has no one" e, ah, acho que esses versos falam por si sós. Botton line is, desconsiderando minha agora frequente falta de eloqüência, é tudo uma questão de sentir-se permanentemente em Valentine's Day. Como não tô nessa, e nem na de solteira-na-balada-vamo-caçar, que faço? Vou roer na casa das amigas, essas sim minhas metades! Hahaha. Então, parabéns pra quem ainda tem fé e vê coragem no amor, porque hoje quero cantar "All by myself", me empanturrar de sorvete e, ainda assim, sentir-me feliz com o que/quem tenho!