terça-feira, 30 de junho de 2009

Sobre tecnologia, política e vergonha na cara

Não sou muito de entrar em fervorosas discussões políticas, acho que até por um grande desencanto na credibilidade dessa vergonhosa política que é vista nos dias de hoje, mas não posso deixar de comentar toda essa coisa dos "manifestos"dos piratas no twitter, o #ForaSarney e o que pode ser o início de uma manifestação efetiva contra o status quo. Ok, é inquestionável a maravilha que está em usar os recursos tecnológicos da modernidade para propagar opiniões e argumentações políticas, e nesse sentido, li até uma frase lá no twitter que dizia "@twpirata bom trabalho, valeu a pena ver tanta gente usando as ferramentas tecnológicas para renovação política". Realmente, tá em trending topics, muita gente mostrando indignação e querendo fazer alguma coisa quanto ao calamitoso estágio da corrupção no País. Mas gente, sério, será que é isso que vai trazer a tão falada e desejada renovação política mesmo? Não consigo parar de pensar nas críticas feitas a esse movimento, que alertaram para a vontade dos tais piratas de conquistar fama e visibilidade. É uma possibilidade, né? Mesmo que não tire o brilho da causa. Mas aí a galera fala que isso é "mobilização social online". Sim, mobilização é, mas social? Pelamordedeus. Quantos brasileiros são instruídos para ter um acesso de qualidade à internet? Quanto mais ao twitter, po! Eu, que toda vida fiz uso da ferramenta virtual e só convivo com pessoas na mesma situação, todo dia tenho que explicar pra alguém do meu convívio what the fuck is twitter, quanto mais os milhares de brasileiros sofridíssimos que, por causa da robalheira de alguns poucos, permanecem esquecidos e continuam a votar nos piores por serem vítimas desse resquício de clientelismo! Outra coisa: é só o #ForaSarney digno de destaque? As pessoas precisam ter consciência de que o problema é GENERALIZADO e que as ações para revertê-lo devem ser feitas pra atingir o todo. Mas essa nossa inerente mania de sempre querer colocar a culpa em cima de alguém, esse nosso terrível mal do bode expiatório acaba impedindo-nos de enxergar, por exemplo, que o próprio senhor excelentíssimo que está comandando as investigações dos atos secretos também é envolvido em alguns desses documentos polêmicos. Mas esses em que o senhor excelentíssimo aparece foram divulgados? Ehm, não. Joga pedra na Geni que ela é boa de cuspir mas esqueça que todos são mesmo escrotos, farinha do mesmo saco. Não vou entrar em discussões ideológicas, só queria expor uma série de coisas que passam na minha cabeça, e que deveriam passar na cabeça de todo mundo antes de sair por aí gritando convicções às vezes não bem fundamentadas... Então, #ForaSarney! E fora essa esbórnia maldita que se convencionou chamar de câmara dos deputados, ou senado, ou plenário, ou prefeituras...e por aí vai.

adendo: pra complementar, leiam essa incrível entrevista com Marcelo Tas, e reflitam. :)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pena que a rima ficou só comigo.

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

-Paulo Leminski

terça-feira, 23 de junho de 2009

But i still wish you'd fought me 'til your dying day

Se tem uma coisa capaz de dilacerar tudo aquilo que tardamos em construir, essa coisa é a indiferença. Sério. Você pode sentir ódio, rancor, vontade de matar, pode escutar as piores palavras de ira de alguém, mas nada é capaz de fazer um buraco no peito maior do que quando existe indiferença. Buscar conforto, respostas, ou até mais questionamentos, qualquer coisa, e encontrar apenas indiferença. Tanto que eu busquei seus olhares, e vocês desviando o rosto como se eu não fosse digna de encará-los. Sei que fui eu que resolvi dar um basta a toda e qualquer chance de maiores desentendimentos, mas ainda assim, esperava mais de vocês. Por mais que eu os desprezasse algumas vezes, ainda assim esperava mais de vocês. Por mais escrota que eu fosse, esperava mais de vocês. Começo a achar que eu nunca vou ficar satisfeita com nada, mas, ainda assim, entendo que parte disso não é minha culpa. A culpa é de vocês. Vocês que parecem se divertir com minhas fragilidades, brincar de ver quem vai mais longe nessa palhaçada que é me fazer de tonta. E eu caio, né? É o que mais me atrai. Antes não, mas hoje vejo muitas semelhanças entre vocês. Sempre tão sensíveis, embora sempre cortantes. E eu lá, no meio, condescendente e pronta pra sofrer os cortes. Mas não mais. Sério, não mais. A única indiferença que pode existir agora é a minha. Então é isso que vai acontecer, eu vou agir como se vocês não fossem dignos de cruzar olhares comigo, mesmo querendo mais que tudo fraquejar e dizer que o olhar faz falta...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

it's a beautiful day - don't let it get away!

eu havia notado um certo clima negativo demais em meus textos, diálogos e relações de uma maneira geral, e não sei ao certo se tava conseguindo conduzir tudo isso. tudo bem que esse lado copo-metade-vazio sempre foi muito aparente em mim, a phd na arte de reclamar, mas como tô numas de mudar o universo (ao meu redor), dessa vez resolvi fazer diferente: escrever um texto dedicado a todas as pequenas coisas que tornam a minha/nossa existência uma coisa bonita e worth all the while. às pequenas coisas e a torná-las importantes, sim. ninguém parece reparar muito nisso ou realmente se importar, né? tantas coisas que percebemos inúteis conseguem crescer bem dentro da gente e influenciar bastante quem somos, sem sequer nos darmos conta! então, hoje não vou reclamar da minha falta de concentração, ânimo e foco, ou da constante indecisão que me ronda. não vou ficar discutindo sobre como as coisas sempre acontecem quando não estou preparada, nem encher os outros com meus nunca resolvidos dramas de vida. hoje eu falo de risadas gostosas, beijinhos na testa, cochilos no meio da tarde, apelidos carinhosos, amizades verdadeiras, filmes que emudecem as palavras, seriados que prendem os olhos, músicas de fazer chorar, músicas de fazer sorrir, notícias inesperadas, saudades de quem tá perto, desejo de atravessar o mundo pra ficar junto de quem tá longe, vontade de gritar sem motivo, dançar sozinha na frente do espelho, incomodar os vizinhos cantando no chuveiro, conviver com quem se quer bem, nostalgia de fotos antigas, interesse na história de vida de alguém, conhecer uma pessoa a ponto de dizer "isso é tão.. você!", misturar doce e salgado, liberdade de ser quem se realmente é, abraços apertados, espontâneas demonstrações de carinho, depender emocionalmente de certas pessoas - por que não? é impossível ser feliz sozinho, isn't it? - madrugadas em claro, pôres-do-sol...ah, é tanta coisa que pode entrar nessa lista. me encontro a favor de pequenos feitos alardeados; é bom sentir. como se uma simples ligação de alguém fosse capaz de revolucionar o mundo inteiro, sabe? pode não ser um momento duradouro nessa atribulada e 'insustentável leveza de ser', no entanto a beleza mora justamente aí, em ter que aproveitar essa fase antes que ela seja tirada de mim sem aviso prévio...melhor não se acostumarem com esse momento fofura, sabe lá quanto vai durar!

sábado, 6 de junho de 2009

Um rio carregado de saudade vem correr na minha veia

E então hoje eu chorei. Aquele choro inusitado e profundo. Uma linda demonstração de carinho de uma amiga querida pode despertar sorrisos, sim, mas também uma avassaladora saudade que traz consigo lembranças de todas as pessoas que infelizmente o destino tratou de afastar de mim.. Não penso que seja mera obra de forças superiores, reconheço que sou fraca demais pra manter certos laços. E por isso, choro. Abro por completo os braços pro futuro, mas às vezes esfacelo ao voltar pro passado. Aos que foram tirados de mim sem chance para maiores despedidas, devo eterna gratidão; com a morte não se discute. Aos que andam próximos fisicamente porém distantes em espírito, a dor parece cortar fundo: será que pensam em mim da mesma forma como eu, assim, tão cheia de sentimento, os enxergo? Tem também aqueles que fizeram a consciente escolha em romper com tudo que represento. A esses nada mais dedico além de mágoa... Mas não posso me ressentir, afinal, fazer proposital escolha em 'cortar de mal' só mostra que deve mesmo haver algo de errado comigo. Ou vai ver não, né? Mas não me dou mais ao luxo de pensar sobre isso. É engraçado como você reclama sem parar de tanta coisa que considera errada/irritante/ruim, e torce pra sair logo daquele ciclo de monotonia; uma vez fora, são as coisas erradas, irritantes e ruins que mais fazem falta.
Não falo aqui com o saudosismo de quem quer uma máquina do tempo pra ficar parado naquele ido lugar, não mesmo, até porque o engrandecimento - e eu o busco - vem com a jornada temporal mesmo. Falo com a nostalgia saudável de quem 'olha pra trás e admira a vida que soube fazer'. Então, o que me resta se não as infindas lembranças de todas as pessoas que infelizmente o destino tratou de afastar de mim? Carinho? A esperança de que um dia voltem a ser mais do que memória? Aceitação de que é lá no córtex cerebral que elas vão ficar mesmo? Não podia deixar de mencionar também as pessoas que se fazem cada vez mais presentes na minha vida, pela inevitável convivência cotidiana ou pela vontade de não largar de mim, mesmo. Eu tenho guardadas as coisas mais lindas do mundo pra essas pessoas!

por fim, saudosismo lembra os mestres Tom e Vinícius é com eles que encerro:
Sem você
Sem amor
É tudo sofrimento
Pois você
É o amor
Que eu sempre procurei em vão
Você é o que resiste
Ao desespero
E à solidão
Nada existe
E o tempo é triste
Sem você
Meu amor
Meu amor
Nunca te ausentes de mim
Para que eu viva em paz
Para que eu não sofra mais
Tanta mágoa assim
No mundo sem você

terça-feira, 2 de junho de 2009

Pensando alto - aos berros.

Não entendo como as pessoas vivem quase a vida inteira a reclamar de ressentimentos e, paradoxamente, recheam suas bocas com o máximo de arrogância que podem alcançar pra afirmar "eu? ahh, mas eu não me arrependo de nada!". Penso que isso é uma forma até inconsciente de esconder os seus verdadeiros sentimentos e frustrações, mais um daqueles mecanismos de defesa, o típico escudo de proteção sobre o qual eu tanto sinto gosto teimo em falar. A verdade é que, mesmo quando não pensamos nisso, nossos comportamentos são pautados em ações passadas, as famosas coisas que achamos que não deveríam ter acontecido ou que poderíamos ter feito diferente... Não é cabível que uma pessoa em sã consciência jamais tenha parado pra pensar em como estaria sua vida nesse exato momento se tivesse substituído uma simples palavra na hora de dar uma resposta a alguém (não fazemos ideia do poder metamórfico que mora em um 'não') mesmo há anos atrás, por exemplo. É algo em que simplesmente preferimos não pensar pra evitar que as convicções aparentemente sólidas desabem em nossa frente (ando obsecada por metáforas que envolvem queda, vai entender) e fiquemos vivendo no imaginário, hipotético e idealizado mundo do "se". E é aí que eu abandono a impessoalidade da escrita e falo sobre mim mesma... E se as coisas fossem diferentes agora? Rotina, sentimentos, vontades, interesses, tudo bem diferente? O maior problema dessa reflexão é o ciclo que ela desencadeia, um constante "overthink" sobre tudo e todos, como se revisasse os fatos imediatamente depois de acontecerem. Parece que os sentidos se aguçam e agora sou capaz de repetir cada momento mentalmente como um filme, e criar novos momentos - só não consigo decidir qual "SE" parece mais apropriado.. Céus! Provavelmente esse filme nunca terá fim...