Há um ano atrás, escrevi aqui algo sobre aeroportos, despedidas e a expectativa do novo. Hoje, trezentos e sessenta e oito dias depois e agora do outro lado do oceano, reler esse texto me parece vir muito a calhar. Naquele tempo, não fazia ideia do que me aguardava... Com o atrevimento de citar a mim mesma, copio essas palavras: "Quando sou eu quem está viajando, desperta-se a expectativa do novo, o frio na barriga na hora da decolagem que também revela o embrulho no estômago por estar buscando novas vivências." E aqui estou, na Alemanha, sentindo o tal embrulho no estômago. Buscando o novo, tentando aprender esse idioma tão complicado e algo de meu curso e, de um modo geral, querendo conhecer o mundo, descobrir coisas e me surpreender. Tantas são as razões que me fazem adorar essa viagem de intercâmbio, mas naturalmente bate quandoemvez uma vontade de recorrer àquilo que já é de muito familiar, conhecido, comum, de casa. Hoje, na classe, perguntei a meu professor em um alemão meio atrapalhado se existia uma palavra parecida com saudade, em português, uma palavra que representasse aquela falta que se sente de casa. Heimweh, ele me disse. Taí uma palavra importante de se saber falar em um idioma que não o meu.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Alone in Kyoto
Dia desses o tráfego enlouquecedor e todas aquelas luzes da noite na cidade me trouxeram uma lembrança no mínimo inesperada: as andanças por São Paulo, aquela atmosfera metropolitana, transeuntes constantes, pessoas fazendo as coisas acontecerem. No meio de tanta gente aleatória, surgem as espreitadas pelo rabo do olho. Entreolhares como se fosse possível conhecer um pouco do outro nos breves segundos em que se fitam. Gosto de parar pra imaginar de onde eles vem, pra onde vão, que pensamentos rodeiam aquelas mentes enquanto toca alguma música nos seus fones de ouvido. Que música ouvem? Do que gostam? Completos estranhos, e eu tentando imaginar pelo que estão passando, se aquele cenho franzido seria por preocupação com algum familiar ou estresse no trabalho... É um grande exercício, esse de atribuir características àqueles que mal conhecemos.
A sensação é bastante semelhante quando penso em você. Antes tão perto, agora você é mais um daqueles incontáveis pontinhos em constante movimento na multidão, se afastando mais e mais. Um completo estranho, sobre quem só me resta tentar formular as mais diversas suposições. Imaginar por onde anda, pra onde vai e do que gosta, agora que estamos distantes. Mais distantes do que os dois mil seiscentos e sessenta quilômetros que separam Recife de São Paulo.
A sensação é bastante semelhante quando penso em você. Antes tão perto, agora você é mais um daqueles incontáveis pontinhos em constante movimento na multidão, se afastando mais e mais. Um completo estranho, sobre quem só me resta tentar formular as mais diversas suposições. Imaginar por onde anda, pra onde vai e do que gosta, agora que estamos distantes. Mais distantes do que os dois mil seiscentos e sessenta quilômetros que separam Recife de São Paulo.
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