Não entendo como as pessoas vivem quase a vida inteira a reclamar de ressentimentos e, paradoxamente, recheam suas bocas com o máximo de arrogância que podem alcançar pra afirmar "eu? ahh, mas eu não me arrependo de nada!". Penso que isso é uma forma até inconsciente de esconder os seus verdadeiros sentimentos e frustrações, mais um daqueles mecanismos de defesa, o típico escudo de proteção sobre o qual eu tanto sinto gosto teimo em falar. A verdade é que, mesmo quando não pensamos nisso, nossos comportamentos são pautados em ações passadas, as famosas coisas que achamos que não deveríam ter acontecido ou que poderíamos ter feito diferente... Não é cabível que uma pessoa em sã consciência jamais tenha parado pra pensar em como estaria sua vida nesse exato momento se tivesse substituído uma simples palavra na hora de dar uma resposta a alguém (não fazemos ideia do poder metamórfico que mora em um 'não') mesmo há anos atrás, por exemplo. É algo em que simplesmente preferimos não pensar pra evitar que as convicções aparentemente sólidas desabem em nossa frente (ando obsecada por metáforas que envolvem queda, vai entender) e fiquemos vivendo no imaginário, hipotético e idealizado mundo do "se". E é aí que eu abandono a impessoalidade da escrita e falo sobre mim mesma... E se as coisas fossem diferentes agora? Rotina, sentimentos, vontades, interesses, tudo bem diferente? O maior problema dessa reflexão é o ciclo que ela desencadeia, um constante "overthink" sobre tudo e todos, como se revisasse os fatos imediatamente depois de acontecerem. Parece que os sentidos se aguçam e agora sou capaz de repetir cada momento mentalmente como um filme, e criar novos momentos - só não consigo decidir qual "SE" parece mais apropriado.. Céus! Provavelmente esse filme nunca terá fim...
E se...
ResponderExcluirRealmente nunca chegará a um fim. Não há desfecho apropriado para algo que poderia ter sido e não foi. É parecido como quando fazem pesquisas de opinião a respeito do último episódio de uma série...não importa o resultado, o autor é quem terá o ponto final.
Esse tipo de pensamento faz surgir em mim a ideia de que não sou mesmo dona do meu destino (se é que existe mesmo um)...nunca iremos nos contentar com o que foi, quando sabemos o que poderia ter sido. Será que realmente depende de nós? E pior...será que realmente mudaríamos algo se pudéssemos?
Por mais piegas que pareça, talvez exista mesmo uma razão para tudo. Só me entristeço por não ser capaz de compreendê-la.