sábado, 16 de maio de 2009

"E essa tragédia que é viver, e essa tragédia; tanto amor que fere e cansa"

Essa coisa de 'sorte do orkut/today's fortune' é de fato a criação mais patética e bizarra no meio de tantas criações patéticas e bizarras que existem naquele site; às vezes me apareciam com frases até revoltantes do tipo "voce ganhará roupas novas" ou "você e sua mulher terão uma velhice confortável" - tornando quem se baseia cegamente naquilo uma pessoa em princípio vazia -, e isso plus minha usual indiferença fizeram com que eu deixasse de ler essa parte. Agoura, por mais que essas coisas meio esoterismo-torto-de-Valter-Mercado sejam no mínimo duvidáveis, não pude deixar de notar a frase que li hoje: Today's fortune: The world is a tragedy to those who feel, but a comedy to those who think. Eu tenho certeza que a elaboração E divulgação dessa frase foram feitas do modo mais superficial possível, mas como acredito na sensibilidade de reflexões que surgem a partir de pequenos acontecimentos, me peguei pensando no significado dessa afirmação..
O que tá escrito nessa frase é mais do que o site mais visitado do universo e abarrotado de seguidores/dinheiro/bobagens mostra. É tão simplório resumir a vida a um evento teatral , sendo ele cômico pra quem age racionalmente porém trágico pra quem é passional e se deixa levar pelos sentimentos, não? Mas no final das contas, essa sucinta classificação do que é o mundo não está de todo equivocada... Afinal, o que é o amor se não uma sucessão de tragédias que te fazem entrar no ciclo vicioso de agir passionalmente e sem controle? E o que é o pensamento racional e por vezes cético se não a maneira mais divertida de experimentar os acontecimentos e ainda evitar desilusões? Por experiência(s) própria(s) recente(s), sei bem da dificuldade em construir uma barreira indestrutível entre razão e emoção (não citei nx zero não ok? HAHAHA), embora acredite na necessidade de haver o elemento 'tragédia' em tudo, mesmo em pitadas modestas. Então, pensando por esse lado e despida de pessimismos, acredito que the world is actually a tragedy for everybody.
Ok, vai ver o mundo é uma tragicomédia, ou melhor, um misto de diversos gêneros teatrais, sem divisão entre os atos, onde não se sabe quando termina a aventura e começa o suspense, quando o romance dá lugar ao terror, com espaço até pro erótico. Mas, definitivamente, a tragédia é predominante, e predomina por ser imprescindível. Essa semana tive uma aula sobre Hegel e aprendi nas palavras de um filósofo complexo e cheio de preciosismos o que secretamente já entendia: é preciso que você viva a crise, sinta, saboreie, delicie-se nesse momento trágico, pra depois reerguer-se, atingir a evanescência. E assim, a gente vai vivendo essa peça meio torta com tudo que temos direito, sabendo do quanto a tragédia é importante e da beleza nela existente...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Keeping the expectations way too low

Dando continuidade à série de textos auto-referentes (ando egoísta por essas épocas, hum), devo dizer: o problema de assumir uma postura descrente diante do resto do mundo está justamente em achar que com isso estamos nos protegendo de eventuais decepções e que, ao assumir de antemão que nada vai dar certo, será mais prazeroso se o contrário acontecer. Talvez seja esse o maior perigo do ceticismo. Talvez seja esse o maior perigo que a mim diz respeito: o perigo de formar um escudo contra as possíveis decepções que, ao romper (porque a gente sabe que VAI romper, não adianta acreditar nem na eficiência dessa 'proteção'), faça o machucado doer ainda mais. Não entendo muito bem os motivos que levaram esse traço a se mostrar mais marcante, tampouco se isso é bom ou ruim; sei que esse lado incrédulo parece por vezes tomar conta do resto e quando menos espero tô enxergando lados errados em tudo... Veja bem, não é que eu esteja querendo morrer de tanta tristeza, o fato é: o que se vê é o copo sempre metade vazio. Aliás, essa metáfora do copo-metade-cheio-metade-vazio nunca serviu muito pra mim. Ela é totalmente falha, e no final das contas, é como Chico Buarque falou em uma das músicas mais incríveis de todos os tempos: é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar/é sempre bom lembrar que o ar sombrio de um rosto está cheio de um ar vazio/vazio daquilo que no ar do copo ocupa um lugar./É sempre bom lembrar, guardar de cor/que o ar vazio de um rosto sombrio está cheio de dor...

8Crystal - Mando Diao

sábado, 9 de maio de 2009

Relatos eufóricos sobre uma noite de muitas emoções

Acabei de chegar do show de Del Rey e, mesmo sabendo que daqui a três horas espera-se que eu esteja cumprindo afazeres, eu tinha que vir aqui narrar - mesmo que pra quase ninguém - o que talvez tenha sido o momento mais VERGONHOSO da minha vida. Então vamos né, lá estava eu morrendo de sono, cansada e com dores, e nada de o show começar.. Eis que finalmente eles entram no palco.. eu tava na pilha pra ver Mombojó e Chinaman de novo; eles fazem sempre a alegria dessa criança aqui. Primeiro, realizo um dos desejos altamente clichê que secretamente guardava: o de ganhar uma flor de alguém - China jogou algumas rosas vermelhas e uma delas caiu em minhas mãos. massa. Aí, surge o momento crucial da noite, quando aquele doido varrido da dancinha bem característica diz que vai fazer um concurso de samba e pergunta quem quer se candidatar a subir no palco..e estranhamente eu levanto os braços! Fui tomada pelos gritos, a instigada sensação de vê-los tão de perto, sabe como é, né? "As luzes e as palmas já são o bastante pra quem quer se enganar".. Então, China pega minha mão e me puxa pro palco. Oh my. Eu, que sempre fui tão comedida e hesitante, sempre pensando na opinião alheia e em não me expor demais, deixei pra trás toda essa coisa estranha que sempre me aprisionou e me entreguei, simplesmente. Mas foi bom sabe, pra eu repensar toda essa coisa de problematizar demais as situações e acabar perdendo muito por não expressar os sentimentos. E, no mais, serviu pra mostar que, como dançarina, eu sou uma ótima escritora, hehe. Não, agora sério. PELAMOR, né, ó minha cara de quem ia entrar nessa por conta da dança.. eu só queria mesmo chegar lá, falar pra Felipe S. o quanto o acho f*da - com o perdão da palavra, apenas transcrevo aqui o momento - e dar umas boas risadas com a irreverência de China. Mais uma vez, o doido varrido me empurra pra o precipício da vergonha e me faz dizer nome e bairro, ou seja, estou para sempre queimada na tão ilustre sociedade recifense. Mnher, quem se importa? Fui vaiada até, não ganhei o concorrido concurso (ultimo lugar, LOSER!) e mais escondi o rosto com os cabelos do que me exibi; como eu disse, o exibicionismo barato não era a minha intenção. Falei o que queria pra Felipe, e ainda ganhei o brilhante comentário "Ahh.. mas você é moça de família" vindo de China. Ah, e ele disse que eu arraso também. Acho que se for colocar numa balança, até que valeu a pena.. Tudo bem que agora eu tô me sentindo a criatura mais patética do mundo, mas já foi, já foi, já foi e foi muito engraçado, mas acima de tudo, um momento epifânico. Logo mais verei as consequências disso. Mais um motivo pra dar brecha a reflexões e tirar meu sono..

P.S.:rezando pra que não tenha ido nenhum conhecido meu nesse show...
P.S2:se bem que filmaram, então, amanhã tô no iutube, Brasil! perfeito pra quem quer bancar o avestruz e enfiar a cabeça num buraco.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Agora eu sei o que quero enxergar.

É como se eu tivesse em mim encrustados todos os sentimentos e pensamentos possíveis, mas tivesse que reduzi-los umas trinta milhões de vezes pra poder dar continuidade à construção do que eu deveria ser. E mesmo sentindo o tremendo peso da dúvida, eu continuo reprimindo essa explosão sensorial pra evitar a queda de uma altura que talvez não suportasse. Por mais que isso soe incrivelmente auto-destrutivo, não é, tem mesmo muito de poesia. Saborosa sensação. Não adianta negar, as mudanças que acontecem quando menos as queremos são as mais impactantes e difíceis de serem esquecidas ou revertidas. As luzes e as palmas já são o bastante pra quem quer se enganar, e assim não há motivos pra se orgulhar... Aí, me sinto dividida entre uma passional vontade de experiência e a usual/acomodada posição relutante. Sei que eu sou agoniado, a minha dor é de esperar. Na verdade, toda vez é isso, basta parar pra pensar: a vida inteira é esse conflito direto de tudo que poderia ser, tudo que eu poderia ser mas, por força de todos os elementos que sou incapaz de controlar, não sou. Você pode repetir as letras e até mudá-las de lugar; mas todo esse questionamento é latente, e aqui permanece. Até quando?



p.s.: tenho percebido uma inexplicável semelhança entre o que sinto e os versos sabiamente escritos por felipe s. - vide mombojó. talvez seja momento para experimentar uma overdose desses versos tão reconfortantes. afinal, alegre ou triste, o que é que vai mudar em mim?
8Minar - Mombojó.
"finjo não te entender; para não sentir vontade de chorar, te aperto em minha dor.."

terça-feira, 17 de março de 2009

It's gonna be a glorious day.


Pois é, o dia por que tanto esperei se aproxima numa velocidade surpreendentemente rápida e me deixa cada vez mais atônita. Não sei mais como me portar, o que falar quando o assunto é Radiohead... Talvez soe como tietagem, situacionismo ou algo do tipo, visto que agora eles estão super na mídia e até no Fantástico apareceram - mencionados como 'estranhos' e logo depois como a melhor banda da atualidade. vai entender.. -, mas eu sei bem - e acredito que as pessoas que me conhecem o bastante sabem também - o quanto esses cinco britânicos esquisitões tão profundos e diferentes entre si foram capazes de transformar minha vida. Radiohead não é só uma banda bonitinha de baladinhas e de música que toca no filme pré-adolescente do momento e quem vier dizer que é fã por ter escutado Creep e Fake Plastic Trees saia da minha frente por favor. Eles são DEEP, e de uma profundidade que assusta, mas ao mesmo tempo arrebata. Acompanhar toda a evolução da banda, dos ruídos às batidas eletrônicas, todas as incríveis nuances que os trouxeram até aqui - literalmente! - é mais do que um privilégio pra uma pobre mortal como yo. Não acho que exista algum artista tão enigmático quanto Thom Yorke, que me encanta cada vez mais mesmo com suas bizarrices. Talvez seja isso que particularize tanto a banda: a quebra de qualquer estereótipo, as esquisitices que os elevam artisticamente. Você percebe que aquilo ali é real, sabe? Não é qualquer estratégia barata de marketing pra vender trilhões de cds e chegar ao topo do mundo: eles têm autenticidade, sentimento, aliás, muito sentimento! Nas músicas, tudo é externado à flor da pele, pulsante, por vezes agoniante. Os sentimentos de Thomas Edward Yorke alojam-se na sua cabeça e, por alguns minutos, você é capaz de entender com uma clareza assustadora o emaranhado de informações que emana daquele que, na minha opinião, é um dos raríssimos gênios musicais da atualidade. Dia desses encontrei no computador uma foto minha tirada em 2004, no auge de meus treze/catorze anos, na qual eu segurava o The Bends. Aquele ano não havia sido nada fácil pra mim e Thom, Phil, Colin, Jonny e Ed já deixavam seus fortes rastros em minha vida. Não consigo sequer lembrar de quando foi que começou todo esse fascínio meu por eles; é uma coisa tão particular, tão de identidade minha, tão arraigada em mim que parece até que nasci ao som de Stop Whispering - ou alguma outra música do Pablo Honey - hahaha. Posso até parecer piegas com essa quase devoção, mãããns diante de posturas tão críticas (a.k.a. reclamonas) que tenho procurado assumir em relação a outras coisas, é bom ter no Radiohead a representação do que há de melhor, e de fato eles SÃO o que há de melhor!
8climbing up the walls - radiohead (L)
it's gonna be a glorious day...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

to hell with it! (ou não)

As pessoas vivem suas vidas (quase sempre) baseando-se nos outros, buscando a opinião alheia, supervalorizando as relações. Até o mais solitário dos homens precisa de interação com o mundo a seu redor; é como se para aceitar a si mesmo, o indivíduo precisasse que outros também o fizessem. Comigo não é diferente. Por vezes, aparento ser uma pessoa "fechada, hermética, protegida" - como uma amiga já me descreveu - embora seja comunicativa (leia-se falo demais) e isso mascare o que acontece no interior. Tenho tentado aumentar em mim a postura do "to hell with it, nem ligo", mas confesso: é quando tento ao máximo mostrar indiferença com o resto do mundo que mais me mordo por dentro pra saber o que o tal mundo acha da minha situação. Isso acontece demais em casos que envolvem os que estão mais próximos, ou seja, meus amigos/família/namorado. A maioria de nós, e por 'nós' me refiro às pessoas que me cercam, nunca irá admitir, mas é impossível não espelharmos nossos atos e comportamentos em função do que um ou outro pensa. Obviamente, vou continuar afirmando por aí que não me importo com nada do que dizem ou pensam, que nada vai mudar meu jeito de ser e todas essas frases clichês que - todos sabem - não são verdadeiras mas sempre ditas e levadas a sério mesmo assim; frases que dão a falsa ideia de estarmos seguros de nós mesmos, despreocupados e bem-resolvidos. Como não quero parecer pedante ao questionar essas bobagens que a gente diz pra sobreviver num mundo de loucos, vou continuar afirmando que não me importo, sim, e fingindo que acredito quando me vierem dizer tamanho impropério... Embora agora mesmo esteja pensando no que os outros vão achar desse texto, no que vão falar, se vai ser interpretado corretamente ou não. Mas ei, ninguém precisa saber disso, certo? Então to hell with it, nem ligo!

8revelry - kings of leon

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ciberdelia strikes again

É engraçado, depois de tanto tempo, estar de volta ao 'universo virtual' com um blog. um dia desses eu tava cascavilhando arquivos antigos no computador e achei muitas coisas interessantes: alguns textos, templates que eu fazia, códigos html. não acredito que aos 14 anos eu sabia como montar um site por completo (isso e algumas coisas que escrevi mostram que não fui de todo uma pré-adolescente babaca) e hoje em dia levo couro até pra mexer no windows explorer. lamentável. mas o fato é que por várias vezes pensei em criar uma página de novo, voltar a escrever, tentar levar a coisa até mais a sério, e acabei postergando esse momento por algum motivo. aí, num dia de couch-potatoe que eu tive, acabou surgindo o termo 'drugstore philosophy', nome até então bonitinho que me serviu de incentivo a criar o blog. e cá estou. (: espero que essa não seja como muitas outras de minhas idéias e resoluções que deixo pela metade ou abandono por puro comodismo. aliás, já que a proposta desse blog é bem desabafo-no-divã mesmo, pretendo expor esse comodismo - e outras falhitas más - que me acomete. por ora, esse é só um post de boas-vindas a mim mesma. yey.

8sobremesa - chico science e nação zumbi