segunda-feira, 27 de abril de 2009

Agora eu sei o que quero enxergar.

É como se eu tivesse em mim encrustados todos os sentimentos e pensamentos possíveis, mas tivesse que reduzi-los umas trinta milhões de vezes pra poder dar continuidade à construção do que eu deveria ser. E mesmo sentindo o tremendo peso da dúvida, eu continuo reprimindo essa explosão sensorial pra evitar a queda de uma altura que talvez não suportasse. Por mais que isso soe incrivelmente auto-destrutivo, não é, tem mesmo muito de poesia. Saborosa sensação. Não adianta negar, as mudanças que acontecem quando menos as queremos são as mais impactantes e difíceis de serem esquecidas ou revertidas. As luzes e as palmas já são o bastante pra quem quer se enganar, e assim não há motivos pra se orgulhar... Aí, me sinto dividida entre uma passional vontade de experiência e a usual/acomodada posição relutante. Sei que eu sou agoniado, a minha dor é de esperar. Na verdade, toda vez é isso, basta parar pra pensar: a vida inteira é esse conflito direto de tudo que poderia ser, tudo que eu poderia ser mas, por força de todos os elementos que sou incapaz de controlar, não sou. Você pode repetir as letras e até mudá-las de lugar; mas todo esse questionamento é latente, e aqui permanece. Até quando?



p.s.: tenho percebido uma inexplicável semelhança entre o que sinto e os versos sabiamente escritos por felipe s. - vide mombojó. talvez seja momento para experimentar uma overdose desses versos tão reconfortantes. afinal, alegre ou triste, o que é que vai mudar em mim?
8Minar - Mombojó.
"finjo não te entender; para não sentir vontade de chorar, te aperto em minha dor.."

terça-feira, 17 de março de 2009

It's gonna be a glorious day.


Pois é, o dia por que tanto esperei se aproxima numa velocidade surpreendentemente rápida e me deixa cada vez mais atônita. Não sei mais como me portar, o que falar quando o assunto é Radiohead... Talvez soe como tietagem, situacionismo ou algo do tipo, visto que agora eles estão super na mídia e até no Fantástico apareceram - mencionados como 'estranhos' e logo depois como a melhor banda da atualidade. vai entender.. -, mas eu sei bem - e acredito que as pessoas que me conhecem o bastante sabem também - o quanto esses cinco britânicos esquisitões tão profundos e diferentes entre si foram capazes de transformar minha vida. Radiohead não é só uma banda bonitinha de baladinhas e de música que toca no filme pré-adolescente do momento e quem vier dizer que é fã por ter escutado Creep e Fake Plastic Trees saia da minha frente por favor. Eles são DEEP, e de uma profundidade que assusta, mas ao mesmo tempo arrebata. Acompanhar toda a evolução da banda, dos ruídos às batidas eletrônicas, todas as incríveis nuances que os trouxeram até aqui - literalmente! - é mais do que um privilégio pra uma pobre mortal como yo. Não acho que exista algum artista tão enigmático quanto Thom Yorke, que me encanta cada vez mais mesmo com suas bizarrices. Talvez seja isso que particularize tanto a banda: a quebra de qualquer estereótipo, as esquisitices que os elevam artisticamente. Você percebe que aquilo ali é real, sabe? Não é qualquer estratégia barata de marketing pra vender trilhões de cds e chegar ao topo do mundo: eles têm autenticidade, sentimento, aliás, muito sentimento! Nas músicas, tudo é externado à flor da pele, pulsante, por vezes agoniante. Os sentimentos de Thomas Edward Yorke alojam-se na sua cabeça e, por alguns minutos, você é capaz de entender com uma clareza assustadora o emaranhado de informações que emana daquele que, na minha opinião, é um dos raríssimos gênios musicais da atualidade. Dia desses encontrei no computador uma foto minha tirada em 2004, no auge de meus treze/catorze anos, na qual eu segurava o The Bends. Aquele ano não havia sido nada fácil pra mim e Thom, Phil, Colin, Jonny e Ed já deixavam seus fortes rastros em minha vida. Não consigo sequer lembrar de quando foi que começou todo esse fascínio meu por eles; é uma coisa tão particular, tão de identidade minha, tão arraigada em mim que parece até que nasci ao som de Stop Whispering - ou alguma outra música do Pablo Honey - hahaha. Posso até parecer piegas com essa quase devoção, mãããns diante de posturas tão críticas (a.k.a. reclamonas) que tenho procurado assumir em relação a outras coisas, é bom ter no Radiohead a representação do que há de melhor, e de fato eles SÃO o que há de melhor!
8climbing up the walls - radiohead (L)
it's gonna be a glorious day...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

to hell with it! (ou não)

As pessoas vivem suas vidas (quase sempre) baseando-se nos outros, buscando a opinião alheia, supervalorizando as relações. Até o mais solitário dos homens precisa de interação com o mundo a seu redor; é como se para aceitar a si mesmo, o indivíduo precisasse que outros também o fizessem. Comigo não é diferente. Por vezes, aparento ser uma pessoa "fechada, hermética, protegida" - como uma amiga já me descreveu - embora seja comunicativa (leia-se falo demais) e isso mascare o que acontece no interior. Tenho tentado aumentar em mim a postura do "to hell with it, nem ligo", mas confesso: é quando tento ao máximo mostrar indiferença com o resto do mundo que mais me mordo por dentro pra saber o que o tal mundo acha da minha situação. Isso acontece demais em casos que envolvem os que estão mais próximos, ou seja, meus amigos/família/namorado. A maioria de nós, e por 'nós' me refiro às pessoas que me cercam, nunca irá admitir, mas é impossível não espelharmos nossos atos e comportamentos em função do que um ou outro pensa. Obviamente, vou continuar afirmando por aí que não me importo com nada do que dizem ou pensam, que nada vai mudar meu jeito de ser e todas essas frases clichês que - todos sabem - não são verdadeiras mas sempre ditas e levadas a sério mesmo assim; frases que dão a falsa ideia de estarmos seguros de nós mesmos, despreocupados e bem-resolvidos. Como não quero parecer pedante ao questionar essas bobagens que a gente diz pra sobreviver num mundo de loucos, vou continuar afirmando que não me importo, sim, e fingindo que acredito quando me vierem dizer tamanho impropério... Embora agora mesmo esteja pensando no que os outros vão achar desse texto, no que vão falar, se vai ser interpretado corretamente ou não. Mas ei, ninguém precisa saber disso, certo? Então to hell with it, nem ligo!

8revelry - kings of leon

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ciberdelia strikes again

É engraçado, depois de tanto tempo, estar de volta ao 'universo virtual' com um blog. um dia desses eu tava cascavilhando arquivos antigos no computador e achei muitas coisas interessantes: alguns textos, templates que eu fazia, códigos html. não acredito que aos 14 anos eu sabia como montar um site por completo (isso e algumas coisas que escrevi mostram que não fui de todo uma pré-adolescente babaca) e hoje em dia levo couro até pra mexer no windows explorer. lamentável. mas o fato é que por várias vezes pensei em criar uma página de novo, voltar a escrever, tentar levar a coisa até mais a sério, e acabei postergando esse momento por algum motivo. aí, num dia de couch-potatoe que eu tive, acabou surgindo o termo 'drugstore philosophy', nome até então bonitinho que me serviu de incentivo a criar o blog. e cá estou. (: espero que essa não seja como muitas outras de minhas idéias e resoluções que deixo pela metade ou abandono por puro comodismo. aliás, já que a proposta desse blog é bem desabafo-no-divã mesmo, pretendo expor esse comodismo - e outras falhitas más - que me acomete. por ora, esse é só um post de boas-vindas a mim mesma. yey.

8sobremesa - chico science e nação zumbi