terça-feira, 20 de julho de 2010

Bem leve leve, releve

(foto tirada daqui)

E as coisas ficam bem mais l e v e s após a bela constatação de que de nada adianta se culpar, martirizar, flagelar: há motivos superiores para as coisas acontecerem, razões maiores de ser do que aquela pequena coisinha que você fez e achou ter desencadeado um monte de outras tantas. Vai ver tudo pode ser mais simples, sem a necessidade de ser indicado um culpado, sem precisar que os milhares de jurados em volta me apontem os dedos, cochichem entre si e ordenem como devo agir. Sabe aquele tão batido "não é você, sou eu?"? Bom, vai ver foi você mesmo, porque eu, aahhhm eu tô a fim de viver as coisas, sem preocupação, sem pressa, sem dor! :)

domingo, 27 de junho de 2010

Tanta gente no meu rumo, mas eu sempre vou só. Tanta gente no meu rumo, já não sei viver só...

Tenho alguns posts esperando para serem desenvolvidos nos rascunhos, mas não vem ao caso agora. Eles vão ter que esperar, porque OLHA, esse feriado trouxe tanta coisa, tantas surpresas, reviravoltas e epifanias que, depois de muita angústiachorodesabaforeflexão, resolvi contrapor aqui duas músicas (de novo, elas, as canções e a sabedoria de seus versos...) e falar dos diferentes sentimentos que cada uma desperta. Vamo lá:

Radiohead - The Bends
Não é de se estranhar que uma música de Radiohead diga muito sobre mim, mas esses versos meio ácidos fizeram muito sentido esses dias, dias de destruição de referências e da triste descoberta de que o egoísmo e a falta de sensibilidade aparecem justamente quando você menos espera: Where do we go from here? The words are coming out all weird. Where are you now when I need you? I need to wash myself again to hide all the dirt and pain 'cause I'd be scared that there's nothing underneath... And who are my real friends? Have they all got the bends? Am I really sinking this low? We don't have any real friends - No no no. É mais ou menos isso, sabe, Thom Yorke definiu muito bem o que eu preciso fazer: me lavar de tanta feladaputice e falta de consideração que existe por aí, pra ver se as coisas melhoram. Agora, mudando completamente de tom, música número dois:

Milton Nascimento - Que bom amigo
Esse áudio tá uma porcaria, mas a música vale muito a pena. Primeiro porque é Milton Nascimento, e Bituca dispensa maiores justificativas. Taí uma pessoa que tem o dom pra tornar não só as músicas, mas as coisas em geral mais bonitas. Depois de passar a madrugada ouvindo algumas dele que acenderam em mim a vibe melancólica da música radioheadiana acima, sobre estar só e sobre as dificuldades da vida, me deparo com essa boa surpresa... Porque é muito bom, depois do transtorno emocional de descobrir que certas pessoas não são lá aquilo que você imaginava, e que a vida te esmurra e tá cheia de gente prestes a te decepcionar a cada lado que você olha, constatar que vai ter alguém - mesmo que seja um único alguém, nesse momento - que te tira dessa e mostra que há esperança na humanidade. Alguém pra quem você consegue se mostrar mesmo quando a vontade é de que ninguém te veja naquele estado. Alguém pra escutar seu choro, mesmo sem dizer nada, e depois te fazer rir ainda derramando lágrimas dos olhos. Já disse antes aqui que confiança não se cobra, mas esse alguém supera essas barreiras e permite que você vença qualquer orgulho e diga "preciso de você, fica do meu lado, não me larga, por favor." Que bom, amigo, poder saber outra vez que estás comigo, dizer com certeza outra vez a palavra amigo. Se bem que isso nunca deixou de ser... Que bom, amigo, poder dizer o teu nome a toda hora, a toda gente, sentir que tu sabes que estou pro que der contigo. Se bem que isso nunca deixou de ser.. Que bom, amigo, saber que na minha porta, a qualquer hora, uma daquelas pessoas que a gente espera, que chega trazendo a vida, será você. Sem preocupação.

sábado, 19 de junho de 2010

Parafraseando

Já deve ter ficado um saco pra quem me lê (se é que existe alguém capaz de realmente me ler) esse uso desenfreado de citações e frases e versos e pensamentos que não seriam exatamente meus, mas que, na realidade, são sim muito meus, apenas não de minha autoria. O fato é que achei um arquivo do bloco de notas com uma série de textos que garimpei tempo desses em blogs e músicas perdidas; algumas, guardei porque vivia uma fase relativamente boa, embora tivesse consciência de seu prazo de validade, e no momento não se encaixavam. Outras, simplesmente salvei pela covardia de mostrar a quem queria - melhor assim.
De maneira geral, são frases que eu sabia terem alguma utilidade pra mim algum dia, mesmo como placebo. E é chato, eu sei, referir-me sempre ao mesmo assunto, aquela mesma ladainha imbecil de quem não vira o disco - mesmo sendo este um belo d'um pirata arranhado -, mas sinto ter chegado a hora de colocar pra fora, dar alguma utilidade a essas coisas guardadas - no HD do computador e na minha cabeça. As fontes são tantas e tão diferentes entre si, e mesmo assim dá pra fazer um texto corrido surpreendentemente coeso. Então, lá vai:

"Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada... Às vezes quero crer mas não consigo, é tudo uma total insensatez, aí pergunto a Deus: escute, amigo, se foi pra desfazer, por que é que fez? Não há pra quê chorar por um amor que já morreu. Deixa pra lá, eu vou, adeus; meu coração já se cansou de falsidade... E quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho. E fatalmente se fode, porque está tentando adequar/ajustar um arquétipo, uma imagem de toda a nossa infinita carência, nossa assustadora sede, a uma realidadezinha infinitamente inferior. E, de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Eu gosto de gostos, eu gosto de pele, de cheiro, de amor verdadeiro."

perdão a quem citei sem dar os devidos créditos; pelo menos coloquei aspas..
ouvindo: Santa Chuva - Marcelo Camelo - totalmente compatível com Recife por esses dias...

sábado, 12 de junho de 2010

Pra que ficar assim desesperada se ele falou que não lhe quer?

Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro

Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco?
Seu rosto é mais bonito rindo

-Otto

Love is just a game

Relutei muito antes de decidir escrever um texto sobre o tão falado dia dos namorados: não queria fazer parte nem do grupo dos que tão na vibe de achar tudo lindo e celebrar, tampouco dos mal-amados que dizem se tratar de uma estratégia publicitária só porque não vão ganhar chocolate e presente. Então, presa no meio termo, resolvi apenas falar sobre experiências que me fizeram perceber que, no final das contas, não importa muito o apego a uma data, e sim o que se passa aqui dentro.
Já me forcei a achar lindo um jantar de dia dos namorados enquanto sofria por dentro, tentando comemorar um amor já definhado. De outra vez, me senti péssima e com a auto-estima lá embaixo por não ter alguém pra ligar logo de manhã dizendo "bom dia, amor, feliz dia nosso". Hoje, penso que nada disso, nenhum desses sentimentos antagônicos tem valor em si mesmos. Não é questão de assumir solteirisse ou algo do tipo, acho que passa muito por estar bem com você mesmo, independente de ser doze de junho, catorze de agosto ou vinte e nove de novembro. E, pra isso, fazendo uma referência meio Sex and the City, falo aqui das minhas amigas, porque seremos each other's soulmates nesse dia e em todos os outros que precisarmos. Parei, hoje, pra desviar um pouco o olhar e prestar atenção em tantas outras coisas e pessoas que me fazem feliz e me completam sem a menor necessidade de angústia pra reservar mesa em restaurante ou dar presente em formato de coração. É lindo ser uma "mal-amada" que se sente, sim, muito amada por quem realmente importa.
Como bizarra que sou, tenho umas playlists no iTunes para cada variação de humor (me conhecendo, não tem playlist musical suficiente pra tantos moody swings), de modo que criei a "luvluvluv" pros dias mais românticos e, dia desses, a "I Hate Valentine's Day". Isso tudo pra dizer que, na última, tem uma música com versos bem elucidativos: "Love is just a game, broken all the same and I will get over you. Love is just a lie, happens all the time, swear I know this much is true", disse o The Magic Numbers se encaixando nessa fase cética do meu coração. E é isso mesmo, a gente vive em função do amor, da busca, da construção do carinho, mesmo sabendo estar tudo isso fadado ao fim, ao achar e perder, machucar-se e conviver depois com as cicatrizes (e por que não rir delas?), over and over again. Carregar em si o peso de tantas experiências vividas, tantos motivos pra sorrir e chorar e, principalmente, amadurecer.
Aí vem Jeff Buckley, pra quem pago pau a qualquer época, e diz que "Sometimes a man gets carried away when he feels like he should be having his fun and much too blind to see the damage he's done; Sometimes a man must awake to find that, really, he has no one" e, ah, acho que esses versos falam por si sós. Botton line is, desconsiderando minha agora frequente falta de eloqüência, é tudo uma questão de sentir-se permanentemente em Valentine's Day. Como não tô nessa, e nem na de solteira-na-balada-vamo-caçar, que faço? Vou roer na casa das amigas, essas sim minhas metades! Hahaha. Então, parabéns pra quem ainda tem fé e vê coragem no amor, porque hoje quero cantar "All by myself", me empanturrar de sorvete e, ainda assim, sentir-me feliz com o que/quem tenho!

sábado, 22 de maio de 2010

Mais um da série de textos não-meus

"Eu cai no seu jogo. Logo eu, toda desconfiada, toda cética, toda calejada por outros tipinhos ordinários que se aproveitaram do meu coração virgem de canalhices e me deixaram cheia de marcas e mecanismos de defesa.
Eu, que às vezes desconfio até de mim mesma, pois minha própria cabeça já me confundiu algumas vezes e me deixou desse jeito, andando como se pisasse em ovos o tempo inteiro.
Eu, que no mínimo sinal de perigo, já disparo uma sirene de ambulância dentro de mim, que me alerta para sair correndo e pular fora.
Mesmo assim, eu acreditei em você.
Óbvio que não dei ouvidos a muita coisa. Sabia que algumas palavras que saiam da sua boca, sem o menor compromisso e disparate, faziam parte do seu repertório. Mas, de alguma forma, me deixei levar.
Quando dei por mim, eu era sua, e você era apenas um personagem, com pseudo-sentimentos e frases de efeito. Mas, não foi mérito seu.
Eu é que fui tola e não percebi que, enquanto prestava atenção nos seus passos para não ser enganada por você, meu próprio coração, em conluio com meu inconsciente, já me sabotavam e estavam prestes a me trair."

via http://aconversaeessa.blogspot.com/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

quando palavras me faltam, as copio.

"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."


Medo de se apaixonar - Fabrício Carpinejar. lindolindolindo.