quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Por que a gente é desse jeito? Criando conceito pra tudo que restou..


Meu aniversário se aproxima e, com ele, uma série de pensamentos sobre, ehm, mim mesma. Já me disseram que sou egoísta, e respondo que hipócrita é aquele que diz não se colocar na frente da maioria das coisas que acontecem ao seu redor. Então, com uma pontada de amargura e torcendo pra que ele não seja mal interpretado, assumo meu egoísmo. Que mal tem em querermos que as coisas funcionem a nosso favor? A diferença está no modo como cada pessoa se comporta diante desse sentimento e até onde vai para satisfazê-lo. É o que separa quem faz birra por não conseguir o que quer dos que passam por cima de tudo e todos pra alcançar seus objetivos. Nesse aspecto, sou do grupo dos birrentos mesmo. Aliás, fico meio preocupada na hora de atribuir esses adjetivos, essas definições; palavras tão fortes pra classificar quem sou, como me vejo, aonde me encaixo nesse mundo tronxo. É tão complicado isso da gente definir tudo, procurar colocar uma etiqueta em cada pessoa, coisa, em cada acontecimentozinho: incisiva e automaticamente, praticamos diariamente o exercício de organizar, nas mentes, tudo em "pastas" separadas por juízos de valor. Nessa onda, acabamos deixando alguma coisa ou, pior ainda, alguém com uma etiqueta meio equivocada. Então agora, à beira dos vinte e dois, me encontro repensando uma série de rótulos que passei todos esses anos meticulosamente colocando. Será que ainda servem? É tempo de reorganizar essas pessoas, coisas e acontecimentozinhos e checar se eles pertecem a cada uma dessas pastas, ainda. Mais importante, na verdade, é refletir sobre os rótulos que pairam sobre mim mesma, que antes pareciam brilhar como letreiros de neon em cima de minha cabeça e agora andam meio apagados. É tão fácil a gente abrir a boca pra urrar o que acha sobre os outros, dizer que fulano é isso e beltrano aquilo com a maior propriedade do mundo. Difícil mesmo é olhar pra si e buscar respostas puras e sinceras a respeito de você mesmo. Esse é o egoísmo que deveria predominar, o do auto-conhecimento constante. O egoísmo de enxergar a si próprio e saber exatamente o que isso representa pro exterior. Tarefa árdua essa tal de auto-avaliação. Mas alguns rótulos precisam ser desconstruídos para dar lugar a novas características e atitudes. Sobre mim, prefiro apenas manter definições a respeito de coisas mais simples, como o fato de que pronuncio o número "dizoito", ou como só falo ao telefone andando pela casa, converso sozinha em inglês e não consigo contar uma história sem gesticular exageradamente. Coisas como essas a gente mantem. Os outros adjetivos, a gente pensa duas vezes antes de repetir, pra que novas etiquetas e pastas classificatórias surjam. E surpreendam.

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