terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Alone in Kyoto

Dia desses o tráfego enlouquecedor e todas aquelas luzes da noite na cidade me trouxeram uma lembrança no mínimo inesperada: as andanças por São Paulo, aquela atmosfera metropolitana, transeuntes constantes, pessoas fazendo as coisas acontecerem. No meio de tanta gente aleatória, surgem as espreitadas pelo rabo do olho. Entreolhares como se fosse possível conhecer um pouco do outro nos breves segundos em que se fitam. Gosto de parar pra imaginar de onde eles vem, pra onde vão, que pensamentos rodeiam aquelas mentes enquanto toca alguma música nos seus fones de ouvido. Que música ouvem? Do que gostam? Completos estranhos, e eu tentando imaginar pelo que estão passando, se aquele cenho franzido seria por preocupação com algum familiar ou estresse no trabalho... É um grande exercício, esse de atribuir características àqueles que mal conhecemos.
A sensação é bastante semelhante quando penso em você. Antes tão perto, agora você é mais um daqueles incontáveis pontinhos em constante movimento na multidão, se afastando mais e mais. Um completo estranho, sobre quem só me resta tentar formular as mais diversas suposições. Imaginar por onde anda, pra onde vai e do que gosta, agora que estamos distantes. Mais distantes do que os dois mil seiscentos e sessenta quilômetros que separam Recife de São Paulo.

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