Se tem uma coisa capaz de dilacerar tudo aquilo que tardamos em construir, essa coisa é a indiferença. Sério. Você pode sentir ódio, rancor, vontade de matar, pode escutar as piores palavras de ira de alguém, mas nada é capaz de fazer um buraco no peito maior do que quando existe indiferença. Buscar conforto, respostas, ou até mais questionamentos, qualquer coisa, e encontrar apenas indiferença. Tanto que eu busquei seus olhares, e vocês desviando o rosto como se eu não fosse digna de encará-los. Sei que fui eu que resolvi dar um basta a toda e qualquer chance de maiores desentendimentos, mas ainda assim, esperava mais de vocês. Por mais que eu os desprezasse algumas vezes, ainda assim esperava mais de vocês. Por mais escrota que eu fosse, esperava mais de vocês. Começo a achar que eu nunca vou ficar satisfeita com nada, mas, ainda assim, entendo que parte disso não é minha culpa. A culpa é de vocês. Vocês que parecem se divertir com minhas fragilidades, brincar de ver quem vai mais longe nessa palhaçada que é me fazer de tonta. E eu caio, né? É o que mais me atrai. Antes não, mas hoje vejo muitas semelhanças entre vocês. Sempre tão sensíveis, embora sempre cortantes. E eu lá, no meio, condescendente e pronta pra sofrer os cortes. Mas não mais. Sério, não mais. A única indiferença que pode existir agora é a minha. Então é isso que vai acontecer, eu vou agir como se vocês não fossem dignos de cruzar olhares comigo, mesmo querendo mais que tudo fraquejar e dizer que o olhar faz falta...
terça-feira, 23 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
it's a beautiful day - don't let it get away!
eu havia notado um certo clima negativo demais em meus textos, diálogos e relações de uma maneira geral, e não sei ao certo se tava conseguindo conduzir tudo isso. tudo bem que esse lado copo-metade-vazio sempre foi muito aparente em mim, a phd na arte de reclamar, mas como tô numas de mudar o universo (ao meu redor), dessa vez resolvi fazer diferente: escrever um texto dedicado a todas as pequenas coisas que tornam a minha/nossa existência uma coisa bonita e worth all the while. às pequenas coisas e a torná-las importantes, sim. ninguém parece reparar muito nisso ou realmente se importar, né? tantas coisas que percebemos inúteis conseguem crescer bem dentro da gente e influenciar bastante quem somos, sem sequer nos darmos conta! então, hoje não vou reclamar da minha falta de concentração, ânimo e foco, ou da constante indecisão que me ronda. não vou ficar discutindo sobre como as coisas sempre acontecem quando não estou preparada, nem encher os outros com meus nunca resolvidos dramas de vida. hoje eu falo de risadas gostosas, beijinhos na testa, cochilos no meio da tarde, apelidos carinhosos, amizades verdadeiras, filmes que emudecem as palavras, seriados que prendem os olhos, músicas de fazer chorar, músicas de fazer sorrir, notícias inesperadas, saudades de quem tá perto, desejo de atravessar o mundo pra ficar junto de quem tá longe, vontade de gritar sem motivo, dançar sozinha na frente do espelho, incomodar os vizinhos cantando no chuveiro, conviver com quem se quer bem, nostalgia de fotos antigas, interesse na história de vida de alguém, conhecer uma pessoa a ponto de dizer "isso é tão.. você!", misturar doce e salgado, liberdade de ser quem se realmente é, abraços apertados, espontâneas demonstrações de carinho, depender emocionalmente de certas pessoas - por que não? é impossível ser feliz sozinho, isn't it? - madrugadas em claro, pôres-do-sol...ah, é tanta coisa que pode entrar nessa lista. me encontro a favor de pequenos feitos alardeados; é bom sentir. como se uma simples ligação de alguém fosse capaz de revolucionar o mundo inteiro, sabe? pode não ser um momento duradouro nessa atribulada e 'insustentável leveza de ser', no entanto a beleza mora justamente aí, em ter que aproveitar essa fase antes que ela seja tirada de mim sem aviso prévio...melhor não se acostumarem com esse momento fofura, sabe lá quanto vai durar!
sábado, 6 de junho de 2009
Um rio carregado de saudade vem correr na minha veia
E então hoje eu chorei. Aquele choro inusitado e profundo. Uma linda demonstração de carinho de uma amiga querida pode despertar sorrisos, sim, mas também uma avassaladora saudade que traz consigo lembranças de todas as pessoas que infelizmente o destino tratou de afastar de mim.. Não penso que seja mera obra de forças superiores, reconheço que sou fraca demais pra manter certos laços. E por isso, choro. Abro por completo os braços pro futuro, mas às vezes esfacelo ao voltar pro passado. Aos que foram tirados de mim sem chance para maiores despedidas, devo eterna gratidão; com a morte não se discute. Aos que andam próximos fisicamente porém distantes em espírito, a dor parece cortar fundo: será que pensam em mim da mesma forma como eu, assim, tão cheia de sentimento, os enxergo? Tem também aqueles que fizeram a consciente escolha em romper com tudo que represento. A esses nada mais dedico além de mágoa... Mas não posso me ressentir, afinal, fazer proposital escolha em 'cortar de mal' só mostra que deve mesmo haver algo de errado comigo. Ou vai ver não, né? Mas não me dou mais ao luxo de pensar sobre isso. É engraçado como você reclama sem parar de tanta coisa que considera errada/irritante/ruim, e torce pra sair logo daquele ciclo de monotonia; uma vez fora, são as coisas erradas, irritantes e ruins que mais fazem falta.
Não falo aqui com o saudosismo de quem quer uma máquina do tempo pra ficar parado naquele ido lugar, não mesmo, até porque o engrandecimento - e eu o busco - vem com a jornada temporal mesmo. Falo com a nostalgia saudável de quem 'olha pra trás e admira a vida que soube fazer'. Então, o que me resta se não as infindas lembranças de todas as pessoas que infelizmente o destino tratou de afastar de mim? Carinho? A esperança de que um dia voltem a ser mais do que memória? Aceitação de que é lá no córtex cerebral que elas vão ficar mesmo? Não podia deixar de mencionar também as pessoas que se fazem cada vez mais presentes na minha vida, pela inevitável convivência cotidiana ou pela vontade de não largar de mim, mesmo. Eu tenho guardadas as coisas mais lindas do mundo pra essas pessoas!por fim, saudosismo lembra os mestres Tom e Vinícius é com eles que encerro:
Sem você
Sem amor
É tudo sofrimento
Pois você
É o amor
Que eu sempre procurei em vão
Você é o que resiste
Ao desespero
E à solidão
Nada existe
E o tempo é triste
Sem você
Meu amor
Meu amor
Nunca te ausentes de mim
Para que eu viva em paz
Para que eu não sofra mais
Tanta mágoa assim
No mundo sem você
terça-feira, 2 de junho de 2009
Pensando alto - aos berros.
Não entendo como as pessoas vivem quase a vida inteira a reclamar de ressentimentos e, paradoxamente, recheam suas bocas com o máximo de arrogância que podem alcançar pra afirmar "eu? ahh, mas eu não me arrependo de nada!". Penso que isso é uma forma até inconsciente de esconder os seus verdadeiros sentimentos e frustrações, mais um daqueles mecanismos de defesa, o típico escudo de proteção sobre o qual eu tanto sinto gosto teimo em falar. A verdade é que, mesmo quando não pensamos nisso, nossos comportamentos são pautados em ações passadas, as famosas coisas que achamos que não deveríam ter acontecido ou que poderíamos ter feito diferente... Não é cabível que uma pessoa em sã consciência jamais tenha parado pra pensar em como estaria sua vida nesse exato momento se tivesse substituído uma simples palavra na hora de dar uma resposta a alguém (não fazemos ideia do poder metamórfico que mora em um 'não') mesmo há anos atrás, por exemplo. É algo em que simplesmente preferimos não pensar pra evitar que as convicções aparentemente sólidas desabem em nossa frente (ando obsecada por metáforas que envolvem queda, vai entender) e fiquemos vivendo no imaginário, hipotético e idealizado mundo do "se". E é aí que eu abandono a impessoalidade da escrita e falo sobre mim mesma... E se as coisas fossem diferentes agora? Rotina, sentimentos, vontades, interesses, tudo bem diferente? O maior problema dessa reflexão é o ciclo que ela desencadeia, um constante "overthink" sobre tudo e todos, como se revisasse os fatos imediatamente depois de acontecerem. Parece que os sentidos se aguçam e agora sou capaz de repetir cada momento mentalmente como um filme, e criar novos momentos - só não consigo decidir qual "SE" parece mais apropriado.. Céus! Provavelmente esse filme nunca terá fim...
sábado, 16 de maio de 2009
"E essa tragédia que é viver, e essa tragédia; tanto amor que fere e cansa"
Essa coisa de 'sorte do orkut/today's fortune' é de fato a criação mais patética e bizarra no meio de tantas criações patéticas e bizarras que existem naquele site; às vezes me apareciam com frases até revoltantes do tipo "voce ganhará roupas novas" ou "você e sua mulher terão uma velhice confortável" - tornando quem se baseia cegamente naquilo uma pessoa em princípio vazia -, e isso plus minha usual indiferença fizeram com que eu deixasse de ler essa parte. Agoura, por mais que essas coisas meio esoterismo-torto-de-Valter-Mercado sejam no mínimo duvidáveis, não pude deixar de notar a frase que li hoje: Today's fortune: The world is a tragedy to those who feel, but a comedy to those who think. Eu tenho certeza que a elaboração E divulgação dessa frase foram feitas do modo mais superficial possível, mas como acredito na sensibilidade de reflexões que surgem a partir de pequenos acontecimentos, me peguei pensando no significado dessa afirmação..
O que tá escrito nessa frase é mais do que o site mais visitado do universo e abarrotado de seguidores/dinheiro/bobagens mostra. É tão simplório resumir a vida a um evento teatral , sendo ele cômico pra quem age racionalmente porém trágico pra quem é passional e se deixa levar pelos sentimentos, não? Mas no final das contas, essa sucinta classificação do que é o mundo não está de todo equivocada... Afinal, o que é o amor se não uma sucessão de tragédias que te fazem entrar no ciclo vicioso de agir passionalmente e sem controle? E o que é o pensamento racional e por vezes cético se não a maneira mais divertida de experimentar os acontecimentos e ainda evitar desilusões? Por experiência(s) própria(s) recente(s), sei bem da dificuldade em construir uma barreira indestrutível entre razão e emoção (não citei nx zero não ok? HAHAHA), embora acredite na necessidade de haver o elemento 'tragédia' em tudo, mesmo em pitadas modestas. Então, pensando por esse lado e despida de pessimismos, acredito que the world is actually a tragedy for everybody.
Ok, vai ver o mundo é uma tragicomédia, ou melhor, um misto de diversos gêneros teatrais, sem divisão entre os atos, onde não se sabe quando termina a aventura e começa o suspense, quando o romance dá lugar ao terror, com espaço até pro erótico. Mas, definitivamente, a tragédia é predominante, e predomina por ser imprescindível. Essa semana tive uma aula sobre Hegel e aprendi nas palavras de um filósofo complexo e cheio de preciosismos o que secretamente já entendia: é preciso que você viva a crise, sinta, saboreie, delicie-se nesse momento trágico, pra depois reerguer-se, atingir a evanescência. E assim, a gente vai vivendo essa peça meio torta com tudo que temos direito, sabendo do quanto a tragédia é importante e da beleza nela existente...
O que tá escrito nessa frase é mais do que o site mais visitado do universo e abarrotado de seguidores/dinheiro/bobagens mostra. É tão simplório resumir a vida a um evento teatral , sendo ele cômico pra quem age racionalmente porém trágico pra quem é passional e se deixa levar pelos sentimentos, não? Mas no final das contas, essa sucinta classificação do que é o mundo não está de todo equivocada... Afinal, o que é o amor se não uma sucessão de tragédias que te fazem entrar no ciclo vicioso de agir passionalmente e sem controle? E o que é o pensamento racional e por vezes cético se não a maneira mais divertida de experimentar os acontecimentos e ainda evitar desilusões? Por experiência(s) própria(s) recente(s), sei bem da dificuldade em construir uma barreira indestrutível entre razão e emoção (não citei nx zero não ok? HAHAHA), embora acredite na necessidade de haver o elemento 'tragédia' em tudo, mesmo em pitadas modestas. Então, pensando por esse lado e despida de pessimismos, acredito que the world is actually a tragedy for everybody.
Ok, vai ver o mundo é uma tragicomédia, ou melhor, um misto de diversos gêneros teatrais, sem divisão entre os atos, onde não se sabe quando termina a aventura e começa o suspense, quando o romance dá lugar ao terror, com espaço até pro erótico. Mas, definitivamente, a tragédia é predominante, e predomina por ser imprescindível. Essa semana tive uma aula sobre Hegel e aprendi nas palavras de um filósofo complexo e cheio de preciosismos o que secretamente já entendia: é preciso que você viva a crise, sinta, saboreie, delicie-se nesse momento trágico, pra depois reerguer-se, atingir a evanescência. E assim, a gente vai vivendo essa peça meio torta com tudo que temos direito, sabendo do quanto a tragédia é importante e da beleza nela existente...
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Keeping the expectations way too low
Dando continuidade à série de textos auto-referentes (ando egoísta por essas épocas, hum), devo dizer: o problema de assumir uma postura descrente diante do resto do mundo está justamente em achar que com isso estamos nos protegendo de eventuais decepções e que, ao assumir de antemão que nada vai dar certo, será mais prazeroso se o contrário acontecer. Talvez seja esse o maior perigo do ceticismo. Talvez seja esse o maior perigo que a mim diz respeito: o perigo de formar um escudo contra as possíveis decepções que, ao romper (porque a gente sabe que VAI romper, não adianta acreditar nem na eficiência dessa 'proteção'), faça o machucado doer ainda mais. Não entendo muito bem os motivos que levaram esse traço a se mostrar mais marcante, tampouco se isso é bom ou ruim; sei que esse lado incrédulo parece por vezes tomar conta do resto e quando menos espero tô enxergando lados errados em tudo... Veja bem, não é que eu esteja querendo morrer de tanta tristeza, o fato é: o que se vê é o copo sempre metade vazio. Aliás, essa metáfora do copo-metade-cheio-metade-vazio nunca serviu muito pra mim. Ela é totalmente falha, e no final das contas, é como Chico Buarque falou em uma das músicas mais incríveis de todos os tempos: é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar/é sempre bom lembrar que o ar sombrio de um rosto está cheio de um ar vazio/vazio daquilo que no ar do copo ocupa um lugar./É sempre bom lembrar, guardar de cor/que o ar vazio de um rosto sombrio está cheio de dor...
8Crystal - Mando Diao
8Crystal - Mando Diao
sábado, 9 de maio de 2009
Relatos eufóricos sobre uma noite de muitas emoções
Acabei de chegar do show de Del Rey e, mesmo sabendo que daqui a três horas espera-se que eu esteja cumprindo afazeres, eu tinha que vir aqui narrar - mesmo que pra quase ninguém - o que talvez tenha sido o momento mais VERGONHOSO da minha vida. Então vamos né, lá estava eu morrendo de sono, cansada e com dores, e nada de o show começar.. Eis que finalmente eles entram no palco.. eu tava na pilha pra ver Mombojó e Chinaman de novo; eles fazem sempre a alegria dessa criança aqui. Primeiro, realizo um dos desejos altamente clichê que secretamente guardava: o de ganhar uma flor de alguém - China jogou algumas rosas vermelhas e uma delas caiu em minhas mãos. massa. Aí, surge o momento crucial da noite, quando aquele doido varrido da dancinha bem característica diz que vai fazer um concurso de samba e pergunta quem quer se candidatar a subir no palco..e estranhamente eu levanto os braços! Fui tomada pelos gritos, a instigada sensação de vê-los tão de perto, sabe como é, né? "As luzes e as palmas já são o bastante pra quem quer se enganar".. Então, China pega minha mão e me puxa pro palco. Oh my. Eu, que sempre fui tão comedida e hesitante, sempre pensando na opinião alheia e em não me expor demais, deixei pra trás toda essa coisa estranha que sempre me aprisionou e me entreguei, simplesmente. Mas foi bom sabe, pra eu repensar toda essa coisa de problematizar demais as situações e acabar perdendo muito por não expressar os sentimentos. E, no mais, serviu pra mostar que, como dançarina, eu sou uma ótima escritora, hehe. Não, agora sério. PELAMOR, né, ó minha cara de quem ia entrar nessa por conta da dança.. eu só queria mesmo chegar lá, falar pra Felipe S. o quanto o acho f*da - com o perdão da palavra, apenas transcrevo aqui o momento - e dar umas boas risadas com a irreverência de China. Mais uma vez, o doido varrido me empurra pra o precipício da vergonha e me faz dizer nome e bairro, ou seja, estou para sempre queimada na tão ilustre sociedade recifense. Mnher, quem se importa? Fui vaiada até, não ganhei o concorrido concurso (ultimo lugar, LOSER!) e mais escondi o rosto com os cabelos do que me exibi; como eu disse, o exibicionismo barato não era a minha intenção. Falei o que queria pra Felipe, e ainda ganhei o brilhante comentário "Ahh.. mas você é moça de família" vindo de China. Ah, e ele disse que eu arraso também. Acho que se for colocar numa balança, até que valeu a pena.. Tudo bem que agora eu tô me sentindo a criatura mais patética do mundo, mas já foi, já foi, já foi e foi muito engraçado, mas acima de tudo, um momento epifânico. Logo mais verei as consequências disso. Mais um motivo pra dar brecha a reflexões e tirar meu sono..
P.S.:rezando pra que não tenha ido nenhum conhecido meu nesse show...
P.S2:se bem que filmaram, então, amanhã tô no iutube, Brasil! perfeito pra quem quer bancar o avestruz e enfiar a cabeça num buraco.
P.S.:rezando pra que não tenha ido nenhum conhecido meu nesse show...
P.S2:se bem que filmaram, então, amanhã tô no iutube, Brasil! perfeito pra quem quer bancar o avestruz e enfiar a cabeça num buraco.
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