sábado, 22 de maio de 2010

Mais um da série de textos não-meus

"Eu cai no seu jogo. Logo eu, toda desconfiada, toda cética, toda calejada por outros tipinhos ordinários que se aproveitaram do meu coração virgem de canalhices e me deixaram cheia de marcas e mecanismos de defesa.
Eu, que às vezes desconfio até de mim mesma, pois minha própria cabeça já me confundiu algumas vezes e me deixou desse jeito, andando como se pisasse em ovos o tempo inteiro.
Eu, que no mínimo sinal de perigo, já disparo uma sirene de ambulância dentro de mim, que me alerta para sair correndo e pular fora.
Mesmo assim, eu acreditei em você.
Óbvio que não dei ouvidos a muita coisa. Sabia que algumas palavras que saiam da sua boca, sem o menor compromisso e disparate, faziam parte do seu repertório. Mas, de alguma forma, me deixei levar.
Quando dei por mim, eu era sua, e você era apenas um personagem, com pseudo-sentimentos e frases de efeito. Mas, não foi mérito seu.
Eu é que fui tola e não percebi que, enquanto prestava atenção nos seus passos para não ser enganada por você, meu próprio coração, em conluio com meu inconsciente, já me sabotavam e estavam prestes a me trair."

via http://aconversaeessa.blogspot.com/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

quando palavras me faltam, as copio.

"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."


Medo de se apaixonar - Fabrício Carpinejar. lindolindolindo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

As pessoas são uns lindos problemas.

Olha, pra tornar melhor a existência nesse mundo cão da gente, é preciso colocar na cabeça (ainda que na marra) que, no final das contas, as pessoas só estão mesmo preocupadas com elas mesmas e não adianta esperar nada além disso. Não que esse egoísmo seja de todo ruim, é preciso mesmo valorizar a si próprio, e saber que tá cada um por si já ajuda a evitar algumas decepções. No meu caso, no entanto, essa parece ser uma ideia quase impossível de assimilar. Já falei por aqui algumas vezes sobre como expectativas e o posterior desmonoramento delas me afetam e sobre como é necessário mantê-las lá embaixo, e esse ainda me parece ser um assunto inesgotado. Talvez esse tema se repita por eu nunca ter encontrado alguém que me trouxesse segurança quanto a isso. Nem mesmo a referência familiar, acho até. O fato é que persisto no erro de acreditar que as coisas poderiam ser mais como espero/alimento/prevejo. Pode soar mimado, e de fato o é, mas eu não ia reclamar se as coisas ocorressem um pouco como eu gostaria, se algumas pessoas pudessem perceber que o mundo não gira ao redor do próprio umbigo, e que é muito fácil tratar alguém bem porque agora é conveniente, mas depois desprezar porque well, não era bem o que pensava. E de nada adianta reclamar, espernear ou conversar: consideração é uma coisa impossível de ser cobrada. Não consigo me imaginar mendigando de alguém atençãoconfiançaconsideraçãorespeito, mesmo depois de um esforço tremendo pra essas coisas serem construídas e tornadas sólidas.
Eu adoro quando converso com alguém e escuto uma frase que, mesmo na hora não tendo muito valor, passa a fazer muito sentido depois. E foi o que aconteceu dia desses, depois de conversar com um amigo e me dar conta de que, pra atravessar essas situações sem maiores aperreios, não adianta também ser igualmente egoísta e transferir o problema pros outros. A mudança tem que ser em mim. Claro que não é fácil, palavras são muito bonitas e na prática não é bem assim, a escolha de passar por essas situações não é unicamente minha. Se tenho o condão de simplesmente não me importar quando as expectativas são frustradas? Racionalmente, eu responderia que sim. Realisticamente? Quase nunca.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Do Carmo.

Planejava há tempos escrever sobre minha já ida 'abuela'. Pensei em aproveitar que o aniversário dela se aproximava (lá por fevereiro), mas por fuga, falta de inspiração ou coisa qualquer, deixei passar.. Hoje, dia doze - dia dela - e também aniversário do meu pai -, me parece uma época apropriada: presente melhor não haveria de dar.
De vez em quando me pego pensando no que ela foi, é, no que tanto representou - e ainda o faz - pra mim. É difícil ter que revirar esses pensamentos, cavar e constatar que a presença dela é assim, tão insubstituível. Não tem jeito: tudo seria diferente se ela tivesse aqui, disso tenho certeza. Às vezes, em situações das mais inusitadas e por motivos variados, me pego pensando "aah, mas se Dona Carminha visse isso" ou "dava tudo pra ouvir o que Carminha diria". Quanta autenticidade, pulso firme, personalidade haviam naquela mulher!
Tem dias que lembro gargalhando das tiradas que ela tinha, da irreverência que a idade não levou embora, das frases que arrancavam deliciosas risadas de todos da família. Quantas vezes fui chamada de sonsa e mentirosa, naquele tom de indignação que só ela, ao negar que tinha namorado? E da vez na qual deu um tapa de realidade na minha mãe, lembrando-a da mulher independente e bem resolvida que deveria ser? E os inúmeros feriados com a casa cheia de gente e seu esforço quase rabugento em juntar todo mundo na mesa cedo pra "cear"? Depois de beber umas e outras, vinham os primos conversar safadezas com ela, que rebatia, espirituosa, e deixava todo mundo de cara. Inúmeras são as lembranças em mente desses breves e significativos 16 anos de convívio com a figura.
Noutros dias, os mais nostálgicos, fico triste, com saudade, querendo que as coisas tivessem sido diferentes. É estranho relembrar como participei tão ativamente de um leito de morte, como assisti pessoa tão querida afastar-se de mim vagarosamente.. mas o que ficou dela em mim, tenho certeza, vai muito além do plano físico, do material. O amor de Carminha e Zé Batatinha funcionou como um laço forte, uma cola (e aqui entram todas as metáforas relacionadas à união) de manutenção da família e da coesão entre pessoas que, mesmo tão diferentes e complicadas, são capazes de amar, respeitar, entender, compartilhar. Nem na hora da partida deixaram-nos esquecer que é isso o que importa. Hoje, vivendo num mundo onde presencio(amos) tantas coisas desmoronando, tudo virando efêmero e perdendo significado num estalar de dedos, ter essa referência me conforta.
"A mão que alisa é um ralo". Nunca a ouvi dizer essa frase, na verdade, e ao mesmo tempo dela jamais esquecerei. Sou capaz de imaginá-la proferindo palavras tão certas, sábias, reais. Não canso de me impressionar com a profundidade das coisas que saíam da boca dela.
Quando questionadas a respeito de uma referência feminina, muitas pessoas responderiam sei lá, a mãe, Madonna, Marilyn Monroe, Janis Joplin, as feministas que queimaram seus sutiãs; eu responderia Maria do Carmo. Sem titubear.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ócio + vontade de postar = survey inútil, mas legal :)

If I were a month, I’d be December
If I were a day of the week, I’d be Friday
If I were a time of day, I’d be 9 PM
If I were a planet, I’d be Uranus
If I were a sea animal, I’d be a dolphin
If I were a direction, I’d be South
If I were a piece of furniture, I’d be a bookcase/closet
If I were a liquid, I’d be tequila
If I were a gemstone, I’d be a ruby
If I were a tree, I’d be a cherry tree
If I were a tool, I’d be a hammer
If I were a flower, I’d be a orchid
If I were a kind of weather, I’d be a cloudy
If I were a musical instrument, I’d be drums
If I were a color, I’d be purple
If I were an emotion, I’d be kindness
If I were a fruit, I’d be a strawberry
If I were a sound, I’d be music
If I were an element, I’d be fire
If I were a food, I’d be a brownie
If I were a place, I’d be London
If I were a material, I’d be Silk
If I were a taste, I’d taste like bittersweet chocolate
If I were a scent, I’d be 212 by Carolina Herrera
If I were an animal, I’d be a pink flamingo/sloth
If I were an object, I’d be a book
If I were a body part, I’d be cheeks
If I were a facial expression, I’d be a laugh
If I were a song, I’d be The Bends - Radiohead
If I were a pair of shoes, I’d be polka dot flats

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quando uma música diz mais do que consigo

A cada dia fico mais convencida do poder que a música tem em minha vida. Na vida em geral. Pra cada momento que vivo, existe uma canção - ou duas, três, quatro... - absurdamente perfeita, com uma letra que sutilmente se encaixa na minha história, minha situação. Isso às vezes me espanta, mas também emociona. Até o fato de existirem músicas pra cada momento é retratado em uma! Milton Nascimento disse "certas canções que ouço cabem tão dentro de mim que perguntar carece: "Como não fui eu que fiz?" e isso basta. Eu podia simplesmente ter colado esses versos aqui e voilà, foi-se embora a necessidade de formular frases descontínuas e sem o devido significado. E é por isso que hoje exponho o que sinto com uma dessas músicas biográficas:

Falling over backwards for you
Falling over everybody else
I put myself in that position
Everytime I have the chance

I know it's not my business, to be
Digging up these things I shouldn't know
Twenty years of bad decisions
Haven't taught me much at all

Separate events you're making
Everyone pretend it's not your fault
And all of this offense you're taking
Doesn't really bother me at all

Twist my arm 'cause that's the way you think you're gonna work this whole thing out
You know you own my body but don't think that you control my mouth
Having every question answered
Is it gonna help at all?
Having every question answered
Doesn't help

When you're not supposed to know
You're not supposed to know
You're not supposed to know
Anything

Another textbook situation
Everything I think I know I've read
What's the point of medication?
All it makes me wish that I were dead

It's pretty clear that you are me
It's written here on every single page
I'm spitting blood, not stupid
I can read it all over your face

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

E ter que acreditar num caso sério e na melancolia.

Dificilmente se arranca a lembrança, a lembrança, a lembrança. Por isso não se esquece a dor - dói. Quando eu sai da tua via, bati a porta, saí morrendo de medo do desejo. Do desejo de ficar. Num dia assim calado você me mostrou a vida, e agora vem dizer pra mim que é despedida... Saudade de te procurar. Naquela mesa ele contava histórias que hoje na memória eu trago e sei de cor. Naquela mesa ele juntava a gente e contava contente o que fez de manhã, e nos seus olhos era tanto brilho que eu fiquei seu fã!
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odeio essa melancolia barata e o fato de ter que criar, contra minha vontade, um hiato nas coisas boas pra ficar alimentando angústia. sinceramente (e pode até não parecer), não acredito ser uma dessas pessoas que vivem mergulhadas em problemas e adoram sofrimento, crise, lamentação. tá certo, tristeza não tem fim, felicidade sim - isso eu bem sei. um choro baixinho, melancolia, frustração têm seu valor (e num momento posterior, principalmente), mas há um limite. e eu não quero mais isso não. não quero que o pensamento simplesmente (re)apareça out of the blue pra me atormentar logo quando acho que nunca estive melhor. não quero precisar lidar com dramas que nem mesmo criei. não preciso que você volte pra lembrar do que já passou, ou melhor, do que sequer aconteceu. é, Otto disse bem em seus versos: tô morrendo de medo do desejo de ficar. mas bati a porta.